Artboard 33 Artboard 16 Artboard 18 Artboard 15 Artboard 21 Artboard 1 Artboard 2 Artboard 5 Artboard 45 Artboard 45 Artboard 22 Artboard 9 Artboard 23 Artboard 17? Artboard 28 Artboard 43 Artboard 49 Artboard 47 Artboard 38 Artboard 32 Artboard 8 Artboard 22 Artboard 5 Artboard 25 Artboard 1 Artboard 42 Artboard 11 Artboard 41 Artboard 13 Artboard 23 Artboard 10 Artboard 4 Artboard 9 Artboard 20 Artboard 6 Artboard 11 Artboard 7 Artboard 3 Artboard 3 Artboard 12 Artboard 25 Artboard 34 Artboard 39 Artboard 24 Artboard 13 Artboard 19 Artboard 7 Artboard 24 Artboard 31 Artboard 4 Artboard 14 Artboard 27 Artboard 30 Artboard 36 Artboard 44 Artboard 12 Artboard 17 Artboard 17 Artboard 6 Artboard 27 Artboard 19 Artboard 30 Artboard 29 Artboard 29 Artboard 26 Artboard 18 Artboard 2 Artboard 20 Artboard 35 Artboard 15 Artboard 14 Artboard 48 Artboard 50 Artboard 26 Artboard 16 Artboard 40 Artboard 21 Artboard 29 Artboard 10 Artboard 37 Artboard 3 Artboard 3 Artboard 46 Artboard 8
Promoção Visa Checkout

Noite do Oráculo (Cód: 152279)

Auster, Paul

Companhia Das Letras

Ooops! Este produto não está mais a venda.
Mas não se preocupe, temos uma versão atualizada para você.

Ooopss! Este produto está fora de linha, mas temos outras opções para você.
Veja nossas sugestões abaixo!

R$ 42,90
Cartão Saraiva R$ 40,76 (-5%) em até 1x no cartão ou em até 2x de R$ 21,45 sem juros

Crédito:
Boleto:
Cartão Saraiva:

Total: R$0,00

Em até 1x sem juros de R$ 0,00


Noite do Oráculo

R$42,90

Quer comprar em uma loja física? Veja a disponibilidade deste produto

Entregas internacionais: Consulte prazos e valores de entrega para regiões fora do Brasil na página do Carrinho.

ou receba na loja com frete grátis

X
Formas de envio Custo Entrega estimada

* Válido para compras efetuadas em dias úteis até às 15:00, horário de Brasília, com cartão de crédito e aprovadas na primeira tentativa.

X Consulte as lojas participantes

Saraiva MegaStore Shopping Eldorado Av. Rebouças, 3970 - 1º piso - Pinheiros CEP: 05402-600 - São Paulo - SP

Descrição

Palavras podem matar. Nenhuma outra descoberta poderia ser tão terrível para um escritor em crise. Estimulado por um misterioso caderno azul comprado na papelaria de um chinês em Nova York, Sidney Orr retoma a carreira, interrompida cerca de um ano antes. Sua escrita flui com tanto ímpeto nas convidativas páginas em branco que Orr parece ser carregado por ela. Aos poucos, porém, ocorre-lhe uma suspeita: as histórias que imagina podem ter uma relação secreta e inexplicável com o futuro das pessoas que lhe são próximas, como sua esposa e seu melhor amigo. Episódios fortuitos, palavras ditas e ouvidas ao acaso, notícias de jornal - tudo, de uma hora para outra, parece se relacionar com o drama pessoal de Orr, a crise de inspiração por que passou e a fase difícil que atravessa no casamento. Composto na forma de uma história de mistério, 'Noite do Oráculo' é um dos livros mais engenhosos de Paul Auster. O leitor se pergunta constantemente se o chão que pisa é ficção ou realidade, se aquilo que presencia se passa no presente, no passado ou no futuro. a última palavra cabe à imaginação: nela soa a voz do oráculo, como se a escrita fosse uma forma de prever e produzir o futuro.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Companhia Das Letras
Cód. Barras 9788535904987
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 8535904980
Profundidade 1.40 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2004
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 232
Peso 0.33 Kg
Largura 14.00 cm
AutorAuster, Paul

Leia um trecho

"Estive doente durante muito tempo. Quando chegou o dia de deixar o hospital, eu mal sabia andar mais, mal conseguia lembrar quem era. Faça um esforço, disse o médico, e dentro de três ou quatro meses vai estar recuperando o ritmo das coisas. Não acreditei nele, mas segui seu conselho mesmo assim. Tinham me dado por morto e, agora que havia frustrado suas previsões e misteriosamente sobrevivido, que escolha me restava senão viver como se houvesse uma vida futura à minha espera? Comecei com pequenas saídas, me afastando não mais do que um ou dois quarteirões do meu apartamento e voltando para casa. Tinha só trinta e quatro anos, mas para todos os fins e propósitos a doença havia me transformado em um velho - um daqueles velhos malucos que se arrastam meio paralisados e não conseguem botar um pé na frente do outro sem olhar primeiro para saber qual é qual. Mesmo no passo lento que era tudo o que eu conseguia naquela época, andar me deixava com a cabeça leve, esquisita, com uma mixórdia de informações confusas e fios mentais cruzados. O mundo saltava, boiava na frente dos meus olhos, ondulando como reflexos em um espelho irregular, e sempre que eu tentava olhar uma coisa só, isolar um objeto único do fluxo de cores em torvelinho - uma echarpe azul em volta da cabeça de uma mulher, digamos, ou a luz vermelha da traseira de um caminhão de entrega -, a coisa imediatamente começava a se separar e dissolver, desaparecendo como uma gota de tinta em um copo de água. Tudo trepidava, bamboleava, fugindo em diferentes direções, e durante as primeiras semanas tive dificuldade para dizer onde terminava meu corpo e começava o resto do mundo. Trombava com as paredes e latas de lixo, me enrolava nas guias de cachorros e nos papéis que voavam, tropeçava na calçada mais plana. Morei em Nova York a minha vida inteira, mas não entendia mais as ruas e as multidões e, toda vez que saía em uma das minhas pequenas excursões, me sentia como um homem que se perdeu numa cidade estranha. O verão chegou cedo aquele ano. Ao final da primeira semana de junho, o tempo estava parado, opressivo, abafado: dia após dia de céus inertes, esverdeados; o ar viscoso com o cheiro do lixo e dos escapamentos; o calor subindo de cada tijolo e placa de concreto. Mesmo assim, eu seguia em frente, me forçando a descer a escada e sair para a rua toda manhã, e, quando a confusão na minha cabeça começou a clarear e minha força aos poucos retornou, consegui expandir minhas caminhadas para algumas brechas mais distantes do bairro. Dez minutos viraram vinte minutos; uma hora virou duas horas; duas horas viraram três. Os pulmões puxando o ar, a pele perpetuamente banhada em suor, vagava como um espectador dentro do sonho de outro, olhando o mundo que ia passando com os passos dele e me deslumbrando de ter sido um dia igual às pessoas à minha volta: sempre correndo, sempre indo daqui para ali, sempre atrasado, sempre batalhando para fazer mais nove coisas antes de o sol se pôr. Não estava mais equipado para aquele jogo. Eu era agora um produto avariado, uma massa de peças defeituosas e enigmas neurológicos e todo aquele ganhar e gastar me deixava frio. Num cômico alívio, voltei a fumar e passava as tardes em cafeterias com ar condicionado, pedindo limonadas e sanduíches de queijo quente enquanto ouvia conversas e tentava me localizar entre os artigos de três jornais diferentes. O tempo passava. Na manhã em questão - 18 de setembro de 1982 -, saí do apartamento em algum momento entre nove e meia e dez horas. Eu e minha mulher vivíamos no setor Cobble Hill do Brooklyn, a meio caminho entre Brooklyn Heights e Carrol Gardens. Nos passeios, eu geralmente ia para o norte, mas naquela manhã me encaminhei para o sul, virei à direita quando cheguei à rua Court e segui em frente uns seis ou sete quarteirões. O céu estava cor de cimento: nuvens cinzentas, ar cinzento, garoa cinzenta soprada por rajadas de vento cinzento. Sempre tive um fraco por esse tipo de clima, e gostava daquela penumbra, não ficava nem um pouco triste de deixar para trás o canto das cigarras. Uns dez minutos depois de começar a caminhada, no meio do quarteirão entre Carroll e President, vi uma papelaria do outro lado da rua. Ficava enfiada entre um sapateiro e uma bodega vinte e quatro horas, a única fachada brilhante numa fileira de prédios batidos e sem cara. Achei que devia estar ali não fazia muito tempo, mas, apesar de nova e apesar do arranjo esperto da vitrina (torres de esferográficas, lápis e réguas, arrumados para sugerir o horizonte de Nova York), a Paper Palace parecia pequena demais para conter qualquer coisa interessante. Se eu resolvi atravessar a rua e entrar, deve ter sido porque desejava secretamente começar a trabalhar de novo - sem saber, sem ter consciência do desejo que crescia dentro de mim. Não tinha escrito nada desde que voltara do hospital em maio - nem uma frase, nem uma palavra - e não sentia a menor vontade disso. Agora, depois de quatro meses de apatia e silêncio, de repente me deu na cabeça fazer um estoque: canetas e lápis novos, caderno novo, cartuchos de tinta e borrachas novos, pastas e blocos novos, tudo novo."