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O Anticristo - Col. Saraiva de Bolso (Cód: 3649484)

Nietzsche, Friedrich

Saraiva De Bolso

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O Anticristo - Col. Saraiva de Bolso

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Descrição

Não é tanto Cristo, mas o cristianismo que constitui o tema dessa que é a última obra escrita antes de seu autor mergulhar definitivamente na loucura. Ilusão, ficção, ideal negativo, por se alimentar da fraqueza e do ressentimento, o cristianismo, para Nietzsche, designa o poder da mentira: como ele escamoteia a realidade, é preciso não apenas refutá-lo, mas também combatê-lo.

Tradutor: David Jardim Júnior
Introdução: Geir Campos

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Saraiva De Bolso
Cód. Barras 9788520925935
Altura 17.50 cm
I.S.B.N. 9788520925935
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2011
Idioma Português
Peso 0.44 Kg
Largura 10.50 cm
AutorNietzsche, Friedrich

Leia um trecho

Introdução

Diz Mencken, tradutor deste livro para o inglês, que foi este o último escrito de Nietzsche; Christophe Baroni, autor de um volume sobre “o que Nietzsche realmente disse” (Ce que Nietzsche a vraiment dit), diz que, depois deste, o poderoso pensador alemão publicou ainda Ecce homo e, postumamente, A vontade de poder (fragmentos).
“Este livro pertence ao mais raro dos homens”, escreve o autor em seu prefácio; e esse leitor especial há de estar habituado à vida no alto das montanhas — tal qual o seu Zaratustra, que, “aos trinta anos, deixou sua terra e o lago de sua terra e foi para a montanha”.

O católico francês Daniel Halévy escreve, numa biografia que publicou do filósofo, que, para Nietzsche, o anticristo seria o deus grego Dioniso, divindade emocional, que se costuma opor à divindade racional de Apolo: a eterna faina entre dionisíacos e apolíneos. Mas, em verdade, se de fato faz a defesa dos instintos e dos prazeres naturais, o que Nietzsche ataca neste livro é o Cristianismo, ou a Cristandade (Christianity na versão inglesa de Mencken).

E o ataque de Nietzsche há de ter mais de uma vez passado pela cabeça de todos os leitores: há um capítulo em que ele cita trechos dos Evangelhos, para submetê-los à prova da razão. Mas Nietzsche não afirma que fossem palavras ditas pelo Cristo, e sim palavras “postas por eles na boca do Mestre”. “Eles” são com certeza os padres e pastores de todos os tempos, de todos os lugares, tanto da Igreja católica quanto do Protestantismo, luterano ou calvinista, em qualquer de suas seitas.

Os cristãos modernos costumam dizer que o cristianismo veio dar nova face, mais suave, ao Deus vingativo dos judeus, que mandava cobrar “olho por olho, dente por dente”. E Nietzsche transcreve, de um versículo do evangelista Mateus (VII;1:3): “Não julgueis, para não serdes julgados. Com a mesma medida com que avaliardes, sereis também vós avaliados”. Ora, se não é esta a mesma “lei de Talião”... E Nietzsche reclama: “Que noção de justiça, de um juiz justo!”

Tais incongruências levaram o menino Friedrich Wilhelm, neto e filho de pastores luteranos, a questionar a verdade e a pureza dos ideais cristãos. Ao próprio Lutero ele interpela, alegando que para Lutero a “fé” não passaria de uma capa, uma “cortina” para a “dominação” dos instintos... E no fim das contas aí estaria, como em tudo, o que para Nietzsche correspondia a mera Vontade de poder, título de um livro que ele deixou inacabado.

Referindo-se a outros pensadores alemães célebres — Schopenhauer, Kant, Leibnitz —, ele os renega a todos: “Esses alemães são inimigos meus, todos eles.” E, atacando os teóricos das seitas religiosas, Nietzsche não chega propriamente a atacar o Cristo, que, na opinião dele, só poderia mesmo ser condenado à morte na cruz — a mais infamante das condenações —, por ter-se tornado um inimigo público e do Estado, alguém que se colocava publicamente “contra a ordem estabelecida”.

É claro, escreve o mesmo Nietzsche, que a estreita comunidade em que Ele vivia não poderia compreender o alcance da verdadeira mensagem do Cristo, que foi a sua própria vida em oposição ao judaísmo dominante. E até mesmo em sua morte o Nazareno conservou, até o final, o seu protesto contra o “sistema” em vigor: a lei de Roma executada pelos judeus.

Neste livro, o pensamento de Nietzsche é trazido em sua inteireza; e os grandes temas da sua preocupação filosófica, neste como nos demais livros, são os de sempre: a vontade de poder, a reavaliação de todos os valores, o homem superior (não confundir com o Super-Homem, nazista ou não), o eterno retorno... Talvez o ponto mais estranhável deste livro seja aquele onde o autor se põe contra o próprio Lutero, tendo-se em conta que ele mesmo foi durante muitos anos preparado para ser mais um pastor luterano, e já rapazola tinha o apelido de “Pastorzinho”.

Quanto ao Cristianismo em si, para Nietzsche os Evangelhos morreram na cruz do Calvário, e dali por diante o que passou a existir foi o que se poderia denominar “más novas”: não o Evangelium e sim o Dysangelium, aproveitando a grafia alemã. E, a partir daí, não fica difícil dizer que “em verdade, não existem cristãos”, que “o cristão, aquele que por dois mil anos se teve como cristão, é apenas uma ilusão psicológica”; examinado de perto, o que se vê é que, a despeito de toda a sua “fé”, ele tem sido governado mesmo pelos seus instintos — e que instintos!

Numa comparação com o Budismo (“a única religião positiva encontrada na história da humanidade”), a opinião de Nietzsche favorece os orientais, em detrimento dos cristãos; ele situa o Budismo “além do Bem e do Mal”, em suas próprias palavras. E justifica: “o Budismo não fala de luta contra o pecado, mas contra o sofrimento”, e completa adiante: “o Cristianismo promete tudo e não realiza nada, o Budismo não promete nada e acaba realizando”.

Este, como todos os livros de Nietzsche, será de uma leitura estimulante, para dizer o menos, e certamente cobrará do leitor uma disposição de questionar também uma porção de preconceitos e dogmas que de certo modo gradeiam o pensamento num mundo como o nosso, atravancado de mensagens audiovisuais que nos tentam envolver a toda hora e por todos os meios, todas com o velado propósito de “fazer a nossa cabeça”, levando-nos a pensar como pensam e gostar do que gostam as fontes de tais e tão variadas comunicações.

Por tudo isso, a leitura deste livro de Nietzsche torna-se recomendável — quando menos para que qualquer outra leitura se torne “limpa”, como ele diz que limpas se tornam para ele todas as leituras depois que ele fecha os Evangelhos...

Geir Campos


Prefácio

Este livro pertence aos mais raros dos homens. Talvez nenhum deles tenha ainda nascido. É possível que estejam entre aqueles que compreenderam o meu Zaratustra: como poderia confundir-me com aqueles que agora começam a ter ouvidos? Primeiro terá de vir a mim o dia depois de amanhã. Alguns homens nascem postumamente.

As condições de acordo com as quais alguém me compreende, e necessariamente me compreende — eu as conheço muito bem. Mesmo para suportar a minha seriedade, a minha paixão, ele terá de levar a integridade intelectual às raias da firmeza. Deve estar acostumado a viver no cume das montanhas — e contemplar a algaravia da política e nacionalismo abaixo dele.

Deve tornar-se indiferente; jamais deve indagar da verdade se lhe traz lucro ou a desgraça... Deve ter uma inclinação, fruto da coragem, para questões que ninguém ousa encarar; coragem para o proibido; predestinação para o labirinto. A experiência de sete solidões. Ouvidos novos para a música. Uma nova consciência para verdades que até então jamais foram ouvidas.

E a vontade de economizar grandiosamente — conservar juntos sua força, seu entusiasmo... reverência para consigo mesmo; amor a si mesmo; absoluta liberdade de si mesmo... Muito bem, pois! Dessa espécie são os meus leitores, os meus verdadeiros leitores, meus leitores predeterminados: qual será, pois, o resto? — O resto é meramente a humanidade. — O outro terá que tornar seu ser superior à humanidade, em poder, em elevação de espírito, em desdém.

Friedrich W. Nietzsche

1

— Encaremo-nos bem de perto. Somos hiperbóreos — sabemos muito bem quanto é longe o nosso lugar. “Nem por terra nem por água encontraremos o caminho para os hiperbóreos.” Mesmo Píndaro, em seu tempo, sabia muito bem isso a nosso respeito. Para além do norte, para além do gelo, para além da morte — a nossa vida, a nossa felicidade... Descobrimos essa felicidade; sabemos o caminho; dele tomamos conhecimento graças a milhares de anos no labirinto.

Quem mais o encontrou? — O homem de hoje? — “Não sei nem o caminho de saída nem o caminho de entrada; eu sou o que jamais conhece o caminho de saída ou o caminho de entrada” — assim lamuria o homem de hoje... Essa é a forma de modernismo que nos faz mal — estamos nauseados na paz indolente, no compromisso covarde, na virtuosa imundice do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur de coração, que tudo “perdoa” porque “compreende” tudo, é para nós um siroco. Antes viver no meio do gelo que entre as virtudes modernas e outros semelhantes ventos sul!... Fomos bastante bravos; não nos poupamos, nem poupamos os outros; mas passamos longo tempo procurando para onde dirigir a nossa coragem. Tornamo-nos sombrios; chamaram-nos fatalistas.

O nosso destino — era a plenitude, a tensão, o armazenamento de poderes. Ansiávamos pelos relâmpagos e pelos grandes feitos; afastávamo-nos o mais possível da felicidade dos fracos, da “resignação”... Havia um trovão em nosso ar; a natureza, como nós a encarnávamos, obscureceu-se — pois ainda não tínhamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, um objetivo...Introdução Diz Mencken, tradutor deste livro para o inglês, que foi este o último escrito de Nietzsche; Christophe Baroni, autor de um volume sobre “o que Nietzsche realmente disse” (Ce que Nietzsche a vraiment dit), diz que, depois deste, o poderoso pensador alemão publicou ainda Ecce homo e, postumamente, A vontade de poder (fragmentos). “Este livro pertence ao mais raro dos homens”, escreve o autor em seu prefácio; e esse leitor especial há de estar habituado à vida no alto das montanhas — tal qual o seu Zaratustra, que, “aos trinta anos, deixou sua terra e o lago de sua terra e foi para a montanha”. O católico francês Daniel Halévy escreve, numa biografia que publicou do filósofo, que, para Nietzsche, o anticristo seria o deus grego Dioniso, divindade emocional, que se costuma opor à divindade racional de Apolo: a eterna faina entre dionisíacos e apolíneos. Mas, em verdade, se de fato faz a defesa dos instintos e dos prazeres naturais, o que Nietzsche ataca neste livro é o Cristianismo, ou a Cristandade (Christianity na versão inglesa de Mencken). E o ataque de Nietzsche há de ter mais de uma vez passado pela cabeça de todos os leitores: há um capítulo em que ele cita trechos dos Evangelhos, para submetê-los à prova da razão. Mas Nietzsche não afirma que fossem palavras ditas pelo Cristo, e sim palavras “postas por eles na boca do Mestre”. “Eles” são com certeza os padres e pastores de todos os tempos, de todos os lugares, tanto da Igreja católica quanto do Protestantismo, luterano ou calvinista, em qualquer de suas seitas. Os cristãos modernos costumam dizer que o cristianismo veio dar nova face, mais suave, ao Deus vingativo dos judeus, que mandava cobrar “olho por olho, dente por dente”. E Nietzsche transcreve, de um versículo do evangelista Mateus (VII;1:3): “Não julgueis, para não serdes julgados. Com a mesma medida com que avaliardes, sereis também vós avaliados”. Ora, se não é esta a mesma “lei de Talião”... E Nietzsche reclama: “Que noção de justiça, de um juiz justo!” Tais incongruências levaram o menino Friedrich Wilhelm, neto e filho de pastores luteranos, a questionar a verdade e a pureza dos ideais cristãos. Ao próprio Lutero ele interpela, alegando que para Lutero a “fé” não passaria de uma capa, uma “cortina” para a “dominação” dos instintos... E no fim das contas aí estaria, como em tudo, o que para Nietzsche correspondia a mera Vontade de poder, título de um livro que ele deixou inacabado. Referindo-se a outros pensadores alemães célebres — Schopenhauer, Kant, Leibnitz —, ele os renega a todos: “Esses alemães são inimigos meus, todos eles.” E, atacando os teóricos das seitas religiosas, Nietzsche não chega propriamente a atacar o Cristo, que, na opinião dele, só poderia mesmo ser condenado à morte na cruz — a mais infamante das condenações —, por ter-se tornado um inimigo público e do Estado, alguém que se colocava publicamente “contra a ordem estabelecida”. É claro, escreve o mesmo Nietzsche, que a estreita comunidade em que Ele vivia não poderia compreender o alcance da verdadeira mensagem do Cristo, que foi a sua própria vida em oposição ao judaísmo dominante. E até mesmo em sua morte o Nazareno conservou, até o final, o seu protesto contra o “sistema” em vigor: a lei de Roma executada pelos judeus. Neste livro, o pensamento de Nietzsche é trazido em sua inteireza; e os grandes temas da sua preocupação filosófica, neste como nos demais livros, são os de sempre: a vontade de poder, a reavaliação de todos os valores, o homem superior (não confundir com o Super-Homem, nazista ou não), o eterno retorno... Talvez o ponto mais estranhável deste livro seja aquele onde o autor se põe contra o próprio Lutero, tendo-se em conta que ele mesmo foi durante muitos anos preparado para ser mais um pastor luterano, e já rapazola tinha o apelido de “Pastorzinho”. Quanto ao Cristianismo em si, para Nietzsche os Evangelhos morreram na cruz do Calvário, e dali por diante o que passou a existir foi o que se poderia denominar “más novas”: não o Evangelium e sim o Dysangelium, aproveitando a grafia alemã. E, a partir daí, não fica difícil dizer que “em verdade, não existem cristãos”, que “o cristão, aquele que por dois mil anos se teve como cristão, é apenas uma ilusão psicológica”; examinado de perto, o que se vê é que, a despeito de toda a sua “fé”, ele tem sido governado mesmo pelos seus instintos — e que instintos! Numa comparação com o Budismo (“a única religião positiva encontrada na história da humanidade”), a opinião de Nietzsche favorece os orientais, em detrimento dos cristãos; ele situa o Budismo “além do Bem e do Mal”, em suas próprias palavras. E justifica: “o Budismo não fala de luta contra o pecado, mas contra o sofrimento”, e completa adiante: “o Cristianismo promete tudo e não realiza nada, o Budismo não promete nada e acaba realizando”. Este, como todos os livros de Nietzsche, será de uma leitura estimulante, para dizer o menos, e certamente cobrará do leitor uma disposição de questionar também uma porção de preconceitos e dogmas que de certo modo gradeiam o pensamento num mundo como o nosso, atravancado de mensagens audiovisuais que nos tentam envolver a toda hora e por todos os meios, todas com o velado propósito de “fazer a nossa cabeça”, levando-nos a pensar como pensam e gostar do que gostam as fontes de tais e tão variadas comunicações. Por tudo isso, a leitura deste livro de Nietzsche torna-se recomendável — quando menos para que qualquer outra leitura se torne “limpa”, como ele diz que limpas se tornam para ele todas as leituras depois que ele fecha os Evangelhos... Geir Campos Prefácio Este livro pertence aos mais raros dos homens. Talvez nenhum deles tenha ainda nascido. É possível que estejam entre aqueles que compreenderam o meu Zaratustra: como poderia confundir-me com aqueles que agora começam a ter ouvidos? Primeiro terá de vir a mim o dia depois de amanhã. Alguns homens nascem postumamente. As condições de acordo com as quais alguém me compreende, e necessariamente me compreende — eu as conheço muito bem. Mesmo para suportar a minha seriedade, a minha paixão, ele terá de levar a integridade intelectual às raias da firmeza. Deve estar acostumado a viver no cume das montanhas — e contemplar a algaravia da política e nacionalismo abaixo dele. Deve tornar-se indiferente; jamais deve indagar da verdade se lhe traz lucro ou a desgraça... Deve ter uma inclinação, fruto da coragem, para questões que ninguém ousa encarar; coragem para o proibido; predestinação para o labirinto. A experiência de sete solidões. Ouvidos novos para a música. Uma nova consciência para verdades que até então jamais foram ouvidas. E a vontade de economizar grandiosamente — conservar juntos sua força, seu entusiasmo... reverência para consigo mesmo; amor a si mesmo; absoluta liberdade de si mesmo... Muito bem, pois! Dessa espécie são os meus leitores, os meus verdadeiros leitores, meus leitores predeterminados: qual será, pois, o resto? — O resto é meramente a humanidade. — O outro terá que tornar seu ser superior à humanidade, em poder, em elevação de espírito, em desdém. Friedrich W. Nietzsche 1 — Encaremo-nos bem de perto. Somos hiperbóreos — sabemos muito bem quanto é longe o nosso lugar. “Nem por terra nem por água encontraremos o caminho para os hiperbóreos.” Mesmo Píndaro, em seu tempo, sabia muito bem isso a nosso respeito. Para além do norte, para além do gelo, para além da morte — a nossa vida, a nossa felicidade... Descobrimos essa felicidade; sabemos o caminho; dele tomamos conhecimento graças a milhares de anos no labirinto. Quem mais o encontrou? — O homem de hoje? — “Não sei nem o caminho de saída nem o caminho de entrada; eu sou o que jamais conhece o caminho de saída ou o caminho de entrada” — assim lamuria o homem de hoje... Essa é a forma de modernismo que nos faz mal — estamos nauseados na paz indolente, no compromisso covarde, na virtuosa imundice do moderno Sim e Não. Essa tolerância e largeur de coração, que tudo “perdoa” porque “compreende” tudo, é para nós um siroco. Antes viver no meio do gelo que entre as virtudes modernas e outros semelhantes ventos sul!... Fomos bastante bravos; não nos poupamos, nem poupamos os outros; mas passamos longo tempo procurando para onde dirigir a nossa coragem. Tornamo-nos sombrios; chamaram-nos fatalistas. O nosso destino — era a plenitude, a tensão, o armazenamento de poderes. Ansiávamos pelos relâmpagos e pelos grandes feitos; afastávamo-nos o mais possível da felicidade dos fracos, da “resignação”... Havia um trovão em nosso ar; a natureza, como nós a encarnávamos, obscureceu-se — pois ainda não tínhamos encontrado o caminho. A fórmula de nossa felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, um objetivo...