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O Encantador - Nabokov e A Felicidade (Cód: 4895672)

Zanganeh, Lila Azam

Alfaguara / Objetiva

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Descrição

“Lemos para reencantar o mundo”, escreve Lila Azam Zanganeh, em seu estudo a respeito obra de Nabokov e também sobre o prazer da leitura de qualquer grande livro — o maravilhamento da descoberta de um novo mundo, e sua capacidade de fazer ver as coisas ao redor por meio de outras lentes, as lentes do escritor. O encantador: Nabokov e a felicidade é uma mistura de ensaio, memória e ficção. Em seu primeiro livro, Lila escreve uma carta de amor à literatura, ao prazer da leitura e, mais especificamente, a Nabokov e sua obra. A autora parte de um princípio pouco explorado sobre a obra do autor de Lolita e Fala, memória, e defende, com um texto sofisticado, que ele é um escritor eminentemente otimista, “um grande autor da felicidade”. Ao mesclar os dados biográficos de Nabokov aos trechos de seus livros, suas opiniões e vibrantes formas narrativas, Lila cria um retrato singular de um dos maiores escritores do século XX. E faz uma defesa apaixonada do prazer da leitura.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Alfaguara / Objetiva
I.S.B.N. 9788579622199
Altura 23.00 cm
Largura 15.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 296
Idioma Português
Acabamento Brochura
Tradutor José Luiz Passos
Cód. Barras 9788579622199
Número da edição 1
Ano da edição 2013
AutorZanganeh, Lila Azam

Leia um trecho

Capítulo I

A Felicidade Extravagante de Um Sonhador

(Onde o escritor morre num livro inacabado
e o leitor embarca numa busca póstuma para
encontrá-lo)

Pois a lua ao cintilar sempre
me faz sonhar...
Nabokov faleceu no dia 2 de julho de 1977. Eu tinha dez meses de idade. Mais ou menos seiscentos e cinquenta quilômetros nos separavam. Em suma, tivemos um começo infeliz. Ele iria permanecer para sempre insciente da minha insignificante existência.
Meros quatro meses antes de meu nascimento, Nabokov sentiu a morte mais próxima. Tinha acabado de completar setenta e sete anos. No dia 24 de abril de 1976, para ser mais precisa, eis o que escreveu em seu diário: “À uma da manhã levantei de um sono breve, com uma angústia horrorosa, do tipo ‘é agora’. Gritei discretamente, querendo acordar Véra no quarto ao lado, sem sucesso (porque me senti melhor).”
Ele foi sempre um insone, mas os anos agora pesavam e as pílulas mais potentes já não sedavam seus fantasmas domésticos. Nabokov permanecia acordado a maior parte da noite, atormentado pela sua imaginação revolvendo-se no escuro. À medida que a medicação tornava-se mais forte, VN chegou a ter alucinações insólitas e teve que descartar os ardilosos comprimidos, e de uma vez. Mas o pior de tudo, a cada noite, era a trepidação sombria do tique-taque das horas à sua frente.
No verão anterior, no fim de uma manhã de julho de 1975, pela primeira vez, enquanto caçava borboletas numa encosta alpina, Nabokov tinha caído, deslizado cinquenta metros e perdido sua rede de borboletas para o galho de um abeto mais próximo. Esgueirando-se com cuidado na direção da árvore, deslizou de novo e não conseguiu se levantar. A situação provocou — tal como situações absurdas muitas vezes causavam em Nabokov — um ataque descontrolado de riso, tão intenso que as pessoas no teleférico, passando acima, supuseram que ele estivesse deitado por gosto, divertindo-se sob o sol da tardinha. Foi apenas quando o condutor do teleférico prestou atenção a Nabokov outra vez que ele suspeitou de algo errado e pediu que o socorro, com uma maca, fosse até lá, duas horas e meia depois da queda. Embora Nabokov não tivesse se machucado seriamente, sua rede iria para sempre permanecer agarrada àquele galho, “tal qual a lira de Ovídio”, como ele mais tarde escreveu. Uma fratura invisível tinha se aberto furtivamente. VN, que havia lutado contra a prisão do tempo desde o ponto mais remoto que a memória lhe permitisse, estava agora sentindo o massacre do próprio tempo. Um “choque terrível”, ele comentou.
Naquele outono, um tumor de próstata exigiu uma anestesia geral, o que, para o escritor de consciência exarcebada, não era menos do que um experimento no ridículo da finitude — a humilhação de se entorpecer os sentidos como num minúsculo ensaio da morte. Além disso, a insônia tinha se tornado crônica e ele permanecia bastante agitado. Incapaz de suportar o limbo da convalescença, e a despeito das insistentes recomendações dos médicos, também retomou seu romance em andamento, O original de Laura: morrer é divertido, escrevendo nas pequenas fichas de papel-cartão 3x5 que ele vinha usando havia décadas. Cerca de um ano antes, Nabokov havia sentido o primeiro pequeno latejo: “Inspiração. Insônia radiante. O sabor e as neves das adoradas encostas alpinas. Um romance sem um eu, sem um ele, mas com o narrador, a visão deslizante, implícita do começo ao fim.”
Em abril de 1976, no hotel Montreux Palace, Véra e Vladimir brindaram festivamente os setenta e sete anos de VN, e Nabokov rascunhava em média cinco ou seis fichas a cada tarde. Entretanto, daí em diante ele enfrentaria inúmeros reveses. Mais tarde, no mesmo ano, bateu com a cabeça numa queda e, a partir de então, passou a andar visivelmente com mais dificuldade, sofrendo de terríveis dores nas costas e febres ocasionais. Uma infecção misteriosa parecia assaltá-lo, levando-o várias vezes a diversas clínicas e hospitais suíços. Ali, para matar as horas, lia a maior parte do tempo um novo manual, intitulado As borboletas da América do Norte, e uma tradução incrivelmente literal do Inferno, de Dante. Mas a maioria das vezes, estritamente no estilo VN, lia para si o romance que estava na sua cabeça nítido como um vitral: o inacabado O original de Laura. Praticamente toda manhã, num estado de quase transe, lia e aperfeiçoava Laura. Tal como todos os seus outros romances antes de estarem realmente escritos, ele concebia também este último de cabeça; como um rolo de filme prestes a ser revelado em suas fichas imaculadas. Sozinho em seu quarto de hospital, tal como registrou mais tarde, chegou inclusive a recitar o texto para “uma pequena plateia ideal num jardim murado. Minha plateia consistia de pavões, pombos, meus pais falecidos há tempo, dois ciprestes, várias jovens enfermeiras agachadas ao redor e um médico de família tão velho a ponto de se tornar invisível”.
No final de julho Nabokov reconquistava mais espaço na vida. Mas sabia que, em quase vinte anos, esse era o único verão que passaria sem caçar borboletas. Ao fim de setembro, de volta à suíte do hotel, estava tremendamente debilitado. Confessou à esposa que não gostava de hospitais, “apenas porque você não está lá. Não me importaria estar num hospital se eu pudesse levá-la, embrulhá-la no bolso da camisa e levá-la comigo”. Porém, mesmo com Véra ao seu lado, após tantos meses de doença, um langor alarmante tomou conta de si. Com o original de Laura praticamente composto de cabeça, VN permanecia, para sua própria frustração, exausto demais para escrevê-lo. E, quando um repórter bisbilhoteiro lhe perguntou a respeito de sua dieta, Nabokov ironizou: “Minha dieta literária é bem mais extravagante, não passo de duas horas de meditação, entre as duas e as quatro da manhã, quando o efeito do primeiro soporífero evapora e o do segundo ainda não começou, além de uma nesga de escrita à tarde, é tudo praticamente de que meu novo romance precisa.” Mais adiante, em fevereiro de 1977, ele anunciou que, quando os ventos mudassem, faria uma visita ao seu adorado Oeste americano. Na primavera de 1977, ainda estava avidamente sonhando com uma viagem a Israel, onde imaginava que finalmente iria explorar as borboletas do Oriente Médio (uma década antes, havia dito: “Também pretendo coletar borboletas no Peru e no Irã antes de me tornar uma pupa.”) Mas seu passo, tão vigoroso dois verões atrás, era agora o de um ancião, e ele estava completamente vencido pela onerosa tarefa literária que se impôs: editar as traduções imperfeitas de seus romances anteriores e dar forma terrena a Laura. Os amigos ficavam perplexos diante de um VN abatido.