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O Menino que Vendia Palavras (Cód: 1914419)

Brandão, Ignácio de Loyola

Objetiva

Vendido e entregue por Saraiva

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O Menino que Vendia Palavras

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Descrição

O protagonista deste livro é um menino que tem muito orgulho de seu pai, um homem culto, inteligente e que conhece as palavras como ninguém. Se os amigos do menino querem saber o significado de alguma palavra, é o pai dele que sempre procuram. Quer saber o que é epitélio? Alforje? Lunático? Ele sempre tem uma resposta.
O menino logo percebe a curiosidade dos amigos e tem uma idéia bastante astuta: e se começasse a negociar o significado das palavras? Gorgolão? Vale uma fotografia de um navio de guerra. Enfado? Um sorvete de picolé, trazido pelo dono da sorveteria. Pantomima? Um chiclete. E assim começa seu 'negocinho' no bairro, escondido do pai, é claro.
O menino, sempre com um humor leve e envolvente, descobre como é importante conhecer as palavras, pois assim ele vai saber conversar, orientar as pessoas, explicar suas idéias e sentimentos, desempenhar melhor suas tarefas, progredir na vida, entender todas as histórias que lê e até mesmo convencer uma menina a namorá-lo! E, assim, vai aprendendo essas e outras lições valiosas e percebendo com seu pai o quanto a leitura é necessária, pois quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil e interessante fica a sua vida.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Objetiva
Cód. Barras 9788573028539
Altura 23.40 cm
I.S.B.N. 9788573028539
Profundidade 0.40 cm
Acabamento Brochura
Ano da edição 2007
Idioma Português
País de Origem Brasil
Idade recomendada Juvenil
Peso 0.19 Kg
Largura 15.00 cm
AutorBrandão, Ignácio de Loyola

Leia um trecho

Chegavam provocando: — Vê lá se o seu pai sabe essa! Sabe nada! — Qual? — Incompatível. Eu corria para casa: — Pai, o que é incompatível? Ele, na hora: — É uma coisa que não combina com a outra. Orgulhoso, eu levava de volta. Os meninos não acreditavam. — Ele foi olhar no livro. Assim até o meu pai sabe! — Não olhou em livro nenhum. — Então, leva a gente lá, a gente quer tirar a prova. Depois de tantos meses, tive de combinar com meu pai, marquei o encontro com a turma. Meu pai ria da desconfiança dos meus amigos. Era um homem bem-humorado, sempre alegre, sabia todas as palavras. No dia marcado, foram cinco, cada um com uma listinha. Acho que falaram com os pais, pediram à professora Lourdes para ajudar. — O que é lunático? — Um sujeito meio louco ou alguém que vive no mundo da lua, desligado, pode ser distraído também. — E degringolada? — É quando as coisas vão água abaixo. Matula. Essa o senhor sabe? — É um embornal, um alforje. — Alforje? O que é isso? — O mesmo que matula. Era difícil pegar meu pai, ele saía de fino. A turma perguntou mais de vinte palavras, ele matou todas de primeira. Soube até o que era procrastinar, que o Vilmo levou e nem sabia pronunciar, precisou ler três vezes. Todo mundo gozava o Vilmo, ele tinha nome de mulher com uma letra trocada. Dizem que a mãe dele queria uma menina, ia se chamar Vilma, mas nasceu menino, e ela usou o nome assim mesmo. Os meninos foram embora e perguntei: — Como o senhor conhece tantas palavras? — Você não me vê sempre lendo? Assim vou aprendendo palavras. — É bom isso? — Quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil fica a vida. — Por quê? — Vai saber conversar, explicar as coisas, orientar os outros, conquistar as pessoas, fazer melhor o trabalho, arranjar um aumento com o chefe, progredir na vida, entender todas as histórias que lê, convencer uma menina a te namorar. Podia conversar com ele durante horas, menos quando estava lendo. Chegava do trabalho às cinco e meia da tarde, tomava banho e sentava-se para ler. Era corajoso, lia livros grossos e me trazia sempre um livro novo, me deu todos do Monteiro Lobato e a coleção inteira de Os Mais Belos Contos de Fadas do Mundo. Cada história! Como O Cabeça de Vento, Os Três Patetas, João e o Pé de Feijão, João, o Matador de Gigantes, O Pescador e o Anel, O Poço do Fim do Mundo. Eu lia e ficava admirado como os contos de fadas estão cheios de maldades, crueldades e todo tipo de coisas ruins. Em O Pescador e o Anel, um rico barão, com toda a calma, joga uma criança em um rio, para que ela se afogue, apenas porque um bruxo disse que a menina, pobre, se casaria um dia com o filho do barão. Em João, o Matador de Gigantes, o personagem esfacela a cabeça de um gigante com uma marreta e obriga outro a enfiar a faca na barriga, vendo as tripas saltarem para fora.