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O Novo Mundo de Muriel (Cód: 4892468)

Prata, Liliane

Planeta do Brasil

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O Novo Mundo de Muriel

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Descrição

Muriel é uma garota de 16 anos que, um dia, quando vai ao banheiro, acaba num outro mundo: as aldeias de Landim. Landim é um mundo bem diferente, regido por leis distintas e inexplicáveis. A reação de Muriel vai mudando ao longo dos anos, refletindo sobre a convivência com diferentes culturas e sobre o mundo. Paralelamente a isso, há a busca pelas respostas do porquê de ela estar lá e a tentativa de ela voltar para casa. Qual seria de fato o novo mundo de Muriel? E quais seriam os reais limites entre realidade e fantasia?

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Planeta do Brasil
Cód. Barras 9788542201116
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788542201116
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 328
Peso 0.44 Kg
Largura 16.00 cm
AutorPrata, Liliane

Leia um trecho

Talvez pelo dia em que tudo aconteceu. É, acho que essa é a maneira mais simples. Não quero enrolar contando como foram os anos da minha infância, não são as gracinhas que eu fazia quando bebê que interessam agora. Não estou fazendo terapia aqui, certo? Além do mais, sempre fui objetiva. Sempre gostei de ir direto ao ponto. É claro que, com o passar dos anos, esse ponto foi ficando cada vez mais nebuloso e distante de mim. Mas eu ainda o procuro. Ainda me julgo capaz de procurá-lo, embora com muito menos ansiedade e, sobretudo, prepotência. Sou bem menos ansiosa e prepotente hoje do que quando tudo começou. Mas, por mais que as circunstâncias mudem, algumas características nossas continuam mais ou menos as mesmas, até o fim da nossa vida. Bem, estou dando voltas. Vamos aos fatos. Já devia passar das duas da manhã e eu estava dormindo. Acordei de repente, sentindo muita sede, mas, ao mesmo tempo, com toda aquela preguiça de levantar da cama. O dia tinha sido tenso e tudo o que eu queria era dormir por pelo menos umas dez horas seguidas. Mas minha garganta estava seca. Tentei ignorá-la, mas, depois de mexer para lá e para cá por vários minutos, me dei por vencida. Ia ser rápido, afinal de contas. Era só me levantar, ir à cozinha e pegar um copo d’água. Tudo muito simples. Foi o que fiz, tomando todo o cuidado para não acordar meus pais, que dormiam no quarto ao lado do meu. Nosso apartamento não era muito grande e meu pai sempre teve o sono bem leve. É comum que eu acorde no meio da noite com sede. Até hoje tenho esse costume. Por isso, virava e mexia ele me aconselhava a deixar uma jarra de água ao lado da cama, no criado-mudo, como ele e mamãe faziam. Até tentei fazer isso uma vez, mas me deu a maior aflição ver aquela jarra do meu lado. “Hábito de avó”, eu dizia. O preço da minha frescura, claro, é que eu preciso me levantar no meio da noite quase sempre. Como naquele dia. Bebi minha água, um pouco irritada por ter perdido o sono. “Da próxima vez que sentir sede, levanto de uma vez, em vez de enrolar na cama”, pensei. Olhei pela janela da sala, que estava semiaberta. Fazia um calorão. Fiquei alguns minutos debruçada lá, me divertindo com alguma coisa que não lembro bem. Talvez gatos dormindo no muro da casa em frente, ou algo do tipo. Pouco depois, resolvi voltar para a cama. Eu queria dormir dez horas e ia dormir dez horas, sem mais interrupções. O problema é que, antes, resolvi passar no banheiro. Digo que o problema foi ter passado no banheiro porque tudo o que aconteceu foi quando abri a porta do banheiro. É claro que tudo poderia ter ocorrido quando eu voltasse para o quarto, ou de manhã, ao acordar, ou, não sei, no outro dia às dezesseis horas e trinta e cinco minutos. Mas, como tudo ocorreu assim que saí do banheiro, não consigo recapitular os fatos sem culpar o banheiro. Não consigo deixar de pensar que, se eu não tivesse ido ao banheiro naquele dia, minha vida hoje seria bem diferente. Entrei, fiz o que tinha que fazer e fiquei algum tempo sentada na privada, com os olhos fechados. Senti o sono voltar e fiquei feliz. Lembro direitinho. Levantei, dei descarga, lavei as mãos e abri a porta do banheiro. Pronto. Eu olhei à minha frente e não era mais a minha casa. Era isso. Simples assim. Eu não sabia mais onde eu estava. É muito difícil explicar o que senti naquela hora. Zonza, fiquei parada por algum tempo, sem reação, achando que eu estava completamente louca. Porque vou contar uma coisa: é muito esquisito abrir a porta do banheiro que dava para o corredor, aquele de sempre da sua casa, e não vê-lo mais. Esfreguei os olhos, me virei várias vezes para todos os lados, procurando inutilmente a privada e o resto do banheiro. Num primeiro momento, duvidei da minha visão: eu estava enxergando errado, claro. Só podia ser isso. Era para ter o seguinte na frente do banheiro: um corredor, o quarto dos meus pais, o quarto do meu irmão e o meu quarto. Eu andaria até o meu quarto e pronto, boa-noite. Mas, em vez disso, vi uma escuridão sem fim, senti um vento que não parava de bater no meu rosto e, quando olhei para cima, vi o céu. Sob meus pés, terra. E ainda tinha os barulhos, claro. O som de pássaros misturado com o som de besouros ou sei lá o quê. Passei minha vida inteira morando em cidade grande e, since- ramente, mal sabia diferenciar som de sapo, coruja e morcego. Dei alguns passos sem pensar em nada e meus olhos foram se acostumando à escuridão: só aí me dei conta de que tinha um punhado, um punhado mesmo, de árvores à minha frente. Eu estava numa espécie de floresta. Meu coração começou a bater muito forte e senti minha boca secar. Eu me sentia absurdamente confusa e perdida. Que lugar era aquele? O que diabos estava acontecendo? “É tudo um sonho”, pensei. É o tipo da coisa que você pensa quando sai do banheiro e se vê numa floresta. Logo imaginei que tivesse adormecido na privada e fiz força para acordar, seja lá o que isso signifique. Apertei meus olhos, pulei, coisas assim. Só sei que não funcionou. Continuei tentando, mas não funcionou. Acho que, no fundo, eu sempre soube que não era um sonho. Logo no primeiro instante, eu sabia que alguma coisa muito, muito bizarra estava acontecendo. O vento nas árvores era muito real, tudo era muito real. Quer dizer, alguns sonhos são assim parecidos com a realidade. Não todos, mas alguns. Mesmo assim, acho que, no fundo, eu sempre soube que aquilo não era um sonho. Como não acordei, decidi mais uma vez dar meia-volta e entrar no banheiro novamente, como se minha virada fosse uma espécie de volta ao passado. Como se minha virada fosse resolver todos os problemas. Mas, assim que me virei, tive que aceitar de vez: o banheiro não estava mais lá. Eu não estava na minha casa. Era árvore para a frente, árvore para trás, árvore para os lados – era mais árvore do que todas as árvores juntas que eu tinha visto na minha vida. Eu estava sozinha, no meio daquelas árvores todas e daquela escuridão. Comecei a andar a passos lentos, tentando ver melhor o que tinha à minha volta, mas minhas pernas tremiam. Então, sem ter a mínima ideia de como agir, comecei a gritar, bem alto, desesperada. Ah, e comecei a chorar, também. Mas isso foi um pouco depois. Antes, precisei desistir da ideia de que estava sonhando. Nunca pensei que fosse recorrer ao clássico beliscão no braço para conferir meu contato com a realidade, mas foi exatamente o que eu fiz, depois de puxar meu cabelo e de dar um tapa na minha cara. E tudo doía, exatamente como na vida real. Aí, sim, comecei a chorar. Já vou contar o que aconteceu logo depois. Mas, primeiro, vamos voltar um pouco mais no tempo. Vai ser melhor. Não preciso comentar sobre as bolhas de sabão que eu adorava fazer quando era criança ou sobre aquela vez em que destruí todos os carrinhos do meu irmão, mas acho que fui um pouco ansiosa ao já sair contando tudo. Afinal, ainda nem me apresentei. Era o dia do meu aniversário de dezesseis anos. Sou bem comunicativa, pelo menos é o que todos sempre falavam sobre mim, mas nunca fui muito de ir a festas, quanto mais oferecer uma. Mas, naquele ano, sei lá por quê, resolvi comemorar de um jeito mais animado. Nada de chamar alguns poucos amigos para o boliche, como, por incrível que pareça, eu tinha feito na comemoração dos meus catorze anos. Ou de fazer uma sessão DVD lá em casa, com o diferencial de comprar brigadeiros e bolo, como no meu aniversário de quinze anos – é, quinze. Meus pais até fizeram a gentileza de perguntar se eu gostaria de uma grande festa, mas achei melhor não. Uma festa de debutante era o tipo da coisa que eu nunca tinha imaginado na minha vida. Aqueles vestidos, aquela valsa, aquela coisa toda. Não tinha nada contra, mas não era para mim. Perguntei se poderia trocar a festa por uma viagem, e meus pais concordaram, mas nunca mais voltamos a falar sobre isso – e, como não voltamos a falar sobre isso, não viajei. Naquela época, se eu fosse viajar, teria escolhido Londres, acho. A cidade sempre me pareceu o que havia de mais moderno e cosmopolita do mundo. Tive uma amiga na escola que passou um ano lá. Ela foi viajar meio gordinha, com o cabelo até a cintura, castanho. Voltou magra e com o cabelo curto e descolorido, além de cheia de piercings. Achei aquilo muito legal. Talvez tenha sido aí que comecei a associar Inglaterra e modernidade. Ah, fora as bandas, claro. Quando eu tinha quinze anos, metade das músicas que eu ouvia era de bandas de lá. Bem, talvez não metade, mas muitas músicas. Eu amava Londres, mesmo nunca tendo pisado lá. E certamente adoraria ter conhecido a cidade. Mas nem pensei nela quando meus pais me deram a opção da viagem. Acho que estava muito ocupada com meus planos, na época. Acho, não. Era isso. Na verdade, ocupada não é bem a palavra. Eu estava obcecada com meus afazeres, especialmente um. Uma coisa que sempre me encantou é o tempo. Em alguma tarde de ócio no sofá de casa, me dei conta de que viver é passar o tempo, e que podemos fazer isso das mais variadas formas possíveis. Algumas a gente não tem muita escolha: trabalhando ou estudando, por exemplo. Mas o resto... Podemos ficar em frente à TV, zapeando sem muito interesse. Podemos ler, podemos fazer listas do que fazer, podemos decidir entre aprender piano ou melhorar como pessoa. Eu adorava preencher cada fração do meu dia. Ficar parada, para mim, era o caos. Talvez isso explique minha dificuldade de dormir: não é que eu não durma bem, mas costumo acordar pelo menos uma vez toda noite. E, mais ou menos uma vez por mês, tenho uma insônia absurda, dessas em que a gente não consegue adormecer nem por dez minutos. Isso é realmente chato. Mas, uma vez que eu acordei, quero aproveitar tudo o tempo todo, mesmo se eu tiver passado a noite como um zumbi. Acho que a vida, para mim, era mais ou menos isso. Por isso, não me empolguei muito com a ideia da viagem. Se eu refletisse um pouco mais, poderia concluir que ela seria uma ótima oportunidade para aprender coisas, ter novas experiências e, até mesmo, cortar o cabelo e me encher de piercings. Mas, naquele momento, viajar só significava perder tempo e mais nada. Eu estava extremamente focada numa tarefa que, na minha cabeça, era muito mais nobre. Não vá esperando muito glamour da minha parte agora. Eu não estava construindo um foguete ou nada do tipo. O meu “projeto secreto” da vez era... passar no vestibular. Das três melhores universidades do país. Isso, no ano seguinte, aos dezesseis anos. Sei lá de onde eu tirei isso. Aproveitei minha ativa infância e parte da minha ativa adolescência para aprender piano (agora já devo ter esquecido, mas eu sabia tocar muito bem), duas línguas (inglês e espanhol, fluentemente. E francês, mas, como eu leio bem melhor do que falo, não vou me considerar fluente. E olha que, aos dezesseis anos, eu já tinha lido Flaubert no original!) e exercitar meu corpo – eu nadava ou andava de bicicleta praticamente todos os dias. Analisando agora, eu era mais do que obcecada por fazer coisas – eu era meio chata. Não sei de nenhuma pessoa que me odiasse abertamente, mas devia ter, com certeza. Só sei que, naquele tempo, eu me achava o máximo. E sei que era admirada por muita gente, também. Era bem enturmada no colégio, apesar de ocupada demais para ser a mais popular – lembre-se, eu [...]