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O Surgimento da Seção Brasileira da Internacional Comunista(1917-1928) (Cód: 5437132)

Canale,Dario

Anita Garibaldi

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Descrição

Devia ser meados de 1965. Por caminhos tortuosos chegaram até mim dois italianos, verdadeiros, recém-chegados da Itália. Possuíam credenciais da seção internacional do Partido Comunista Italiano. O primeiro era Urbano Stride, um pouco mais velho. Vinha a trabalho, pois seria gerente de um hotel em Belém do Pará. O outro havia aproveitado a oportunidade e tinha seguido Urbano, a quem já conhecia. Tratava-se de Dario Canale. Queriam contatos orgânicos com o PCB.

Urbano já tinha seus projetos traçados, com destino ao norte. Dario também tinha seus objetivos. Chegava ao Brasil para dedicar-se totalmente à revolução, queria ser um profissional do Partido.

Criou-me qualquer problema. O Partido era clandestino, estava em grandes dificuldades, a ditadura a cada dia apertava um pouco mais seu aparato repressivo.

Depois, era necessário conhecê-lo um pouco mais, ver se era seguro, quais eram suas aptidões, se dominava um mínimo a situação nacional.

Eu o coloquei a trabalhar comigo de forma discreta. Na época era da seção juvenil nacional e responsável político dos universitários do PCB do estado de São Paulo.

Pode parecer retórica, mas era perfeito. Disciplinado, atento à segurança, não falhava em nenhuma tarefa, sacrificado ao extremo. E culto, extremamente culto, possuindo uma facilidade para idiomas que nos humilhava a todos.

Tive que apertá-lo para saber por que tinha deixado a Itália, que nos parecia maravilhosa além de ser o país do maior partido comunista do Ocidente.

Sua história era simples. Originário de Schio, no Vêneto, região rica e conservadora, havia estudado filosofia na Universidade de Pisa, então considerada a melhor e a mais difícil universidade italiana. Grande celeiro de quadros comunistas. Ali passara a ser militante assíduo e, uma vez graduado com os máximos votos, se lhe apresentava uma promissora carreira no Partido. Porém não agradava a perspectiva. Acreditava que a situação na Europa era congelada pela Guerra Fria e que não existia a possibilidade de uma ruptura revolucionária. Via no Brasil essa possibilidade. Certo ou errado que estivesse, era esta sua análise.

Achei que era um desperdício fazê-lo continuar a trabalhar comigo e o apresentei a Câmara Ferreira, companheiro da direção nacional que cuidava de delicadas tarefas na clandestinidade. O exigente companheiro Câmara logo ficou encantado com Dario, que se tornou responsável das gráficas do Partido em São Paulo.

Quem conhece a história do movimento comunista sabe como os partidos que combatiam na clandestinidade entregavam suas gráficas apenas aos quadros que consideravam os mais fiéis e responsáveis.

Enquanto se travava a cotidiana batalha contra a ditadura desenvolvia-se uma áspera luta interna nas fileiras do PCB e Dario, noite e dia, produzia materiais sobre o Vietnã, as guerrilhas latino-americanas, a resistência antinazista na Europa etc. Fazia de tudo. Traduzia, escrevia, operava as pobres máquinas da gráfica e às vezes — irresponsavelmente — também as distribuía.

Um belo dia, quando já avançava o 1967, Urbano Stride é preso no Pará acusado de “agente do comunismo internacional” para preparar guerrilhas recebendo armas de “submarinos cubanos”!!! Através dessa queda são atingidos vários italianos e a repressão chega a Dario. Torturado, supera até mesmo o que se esperava dele. Recusa-se a dizer o próprio nome.

Uma grande mobilização internacional promovida pelo PCI consegue sua libertação e ele é expulso de volta a seu país natal.

Inquieto, participa ativamente do Maio francês de 1968, onde é ferido de forma séria nas barricadas de Paris.

Eu o encontrarei novamente na Itália no final de 1970. Havia continuado a manter contato com Câmara Ferreira e seguido seu trajeto político “brasileiro”, passando a fazer parte da ALN, embora continuasse ativo militante do PCI. Em meados de 1971 será um dos autores, junto com Ricardo Zarattini, do documento Uma autocrítica necessária, que dará vida à tendência leninista da ALN. Transfere-se para Santiago do Chile, onde exerce uma série de empenhos, sempre de forma intensa. Entre suas capacidades estava a elaboração de documentos de identidade falsos.

Entra de forma clandestina no Brasil, a pedido da Tendência Leninista, onde executa missões arriscadas e difíceis, como contatos e discussão com os companheiros do PCR no Nordeste e com grupos operários em São Paulo.

Em 5 de maio de 1974 retorna mais uma vez ao Brasil, junto com Zarattini, a partir da Argentina. Dario escolheu essa data pois era a do aniversário de nascimento de Karl Marx. Coisas do Dario.

Passa a residir em São Paulo, onde, junto com outros revolucionários, redige e distribui o jornal O companheiro, voltado aos trabalhadores. Sonha, luta pela unificação dos comunistas e a reestruturação de um forte partido.

Escreve o que acha que deveria ser esse partido, colocando no preâmbulo de seus “estatutos” um texto de Jorge Dimitrov, dirigente búlgaro da Internacional Comunista:



“Para ser um revolucionário

Não basta possuir temperamento de revolucionário: é mister saber também manejar a arma da teoria revolucionária .

Não basta conhecer a teoria: é preciso forjar para si mesmo um caráter sólido, com uma inflexibilidade de bolchevique.

Não basta saber o que fazer: é preciso ter a coragem de levá-lo a cabo.

preciso estar sempre pronto para fazer, a qualquer preço, tudo o que possa realmente servir à classe operária.

preciso ser capaz de subordinar toda a sua vida privada aos interesses do proletariado.”

Dario é novamente preso, em maio de 1978. E mais uma vez é torturado. Zarattini, que estava na mesma situação, recorda quando viu Dario saindo arrebentado da sessão de torturas. Ele vinha cantando, com toda a voz que lhe restava, AInternacional.

Repete-se uma cena já conhecida. Campanha internacional de solidariedade e expulsão para a Itália. Ali, com sua costumeira tenacidade, fará o secretário do Congresso da Anistia para o Brasil, importante evento realizado em agosto de 1979 em Roma. Chegou a anistia, mas Dario é excluído dela, como estrangeiro e “terrorista perigoso”. Não pôde voltar ao Brasil.

Nesse momento retorna a militar no PCB e o partido lhe propõe ir trabalhar junto com a Frelimo em Moçambique. O quadro daquele país ainda em guerra e com todas as sequelas de um brutal colonialismo era terrível.

Por mais de 3 anos deu todas as forças que lhe restavam ao povo moçambicano.

Teve que voltar à Europa, pois a úlcera que sofria agravou-se. Duas décadas de clandestinidade, torturas, agruras e misérias de todo tipo tinham minado seu organismo, que não era muito forte. O PCB o mandou para a República Democrática Alemã. Encontrou-se ali com uma escritora alemã, Christiane Barckhausen, que, entre outras coisas, havia escrito uma linda biografia de Tina Modotti. Casou-se com ela e aproveitou o tempo que precisava para curar da saúde e fazer uma tese de doutorado na Universidade Karl Marx de Leipzig.

Resolveu dar mais uma contribuição ao país que tanto amava, concentrando seus esforços no tema “O surgimento da Seção Brasileira da Internacional Comunista”.

Foi um trabalho titânico, sobretudo na busca de fontes. Leu uma massa de livros, em diversos idiomas, atormentou por anos, através de cartas, os militantes mais velhos no Brasil e na Argentina. Contatou os arquivos da União Soviética e dos Estados Unidos. Porém, sua atenção maior dedicou ao ArquivioStoricodel Movimento Operaio Brasiliano, que se encontrava na Fondazione G. Giacomo Feltrinelli, em Milão. Faziam parte desse acervo — hoje pertencente ao Instituto Astrojildo Pereira e depositado no Cedem-Unesp — os materiais de Astrojildo Pereira, fonte principal deste livro.

Escreveu e defendeu a tese em alemão de forma brilhante e com o entusiasmo de seus não fáceis professores.

Somente o autor não ficou satisfeito com sua obra. Achava que era apenas um início, que outros deveriam continuar de forma superior. Mas esta era uma característica do Dario. Achava que as coisas deveriam ser sempre melhores, mais analíticas, cuidadosas nos detalhes.

Esse trabalho — que ele também traduziu para o português — infelizmente nunca foi publicado. Somente agora, graças aos esforços da Fundação Maurício Grabois, sai das estantes do Instituto Astrojildo Pereira e passa a um público de estudiosos.

Dario escreveu muito: artigos, opúsculos, estudos vários, mas quase sempre com nomes falsos. Trabalhou numa obra vasta sobre a história do Primeiro de Maio no mundo, impressa em alemão.

Como última fatiga fez volumoso manuscrito em italiano, que intitulou SophoDialogi. Muito complexo e de difícil leitura. Trata-se de diálogos filosóficos travados com o mesmo Karl Marx, nos quais reflete as perplexidades com os rumos do socialismo na Europa.

Com seu corpo doente, e com a crise que se agravava no Leste Europeu, achou que seu tempo tinha terminado e nada mais tinha de dar. Seguindo a tradição do socialismo europeu do século XIX, deixou esta terra por suas próprias mãos em 1989, com apenas 46 anos de idade.

Sua herança material foram apenas três cópias do SophoDialogi: uma a sua esposa Christiane, outras duas a Ricardo Zarattini e ao autor destas linhas.


José Luiz Del Roio
Escritor, diretor de Arquivos do Instituto Astrojildo Pereira. Senador da República Italiana (2006-2008) pelo Partido da Refundação Comunista.

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Anita Garibaldi
Cód. Barras 9788572771368
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788572771368
Profundidade 2.50 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2013
Idioma Português
Número de Páginas 416
Peso 0.57 Kg
Largura 16.00 cm
AutorCanale,Dario