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O Torreão (Cód: 4068666)

Egan, Jennifer

Intrinseca

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Descrição

Danny é um nova-iorquino viciado em celular que, entre outros estranhos talentos, consegue detectar na própria pele se um lugar tem sinal de internet wi-fi. Quando seu primo Howard, de quem havia se afastado após uma brincadeira de mau gosto na adolescência, o convida para conhecer o castelo europeu que comprou e está reformando com a intenção de transformar em hotel de luxo, Danny acha que é uma boa oportunidade para retomar o contato e ao mesmo tempo fugir da confusão que arrumou em seu último emprego.
Ao chegar lá, no entanto, as coisas começam a ficar estranhas. O torreão do castelo, que serviu de fortificação durante muitos séculos e resistiu a diversas tentativas de invasão, ainda é ocupado pela antiga proprietária — uma baronesa sinistra que parece velha demais para estar viva. Uma piscina mal-assombrada e um traiçoeiro labirinto subterrâneo completam a aura de mistério do lugar. Quando o pânico toma conta de Danny, ele descobre que a “realidade” pode ser algo em que não consegue mais acreditar.

Características

Peso 0.26 Kg
Produto sob encomenda Sim
Editora Intrinseca
I.S.B.N. 9788580571905
Altura 23.00 cm
Largura 16.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 240
Idioma Português
Acabamento Brochura
Tradutor Rubens Figueiredo
Cód. Barras 9788580571905
Número da edição 1
Ano da edição 2012
AutorEgan, Jennifer

Leia um trecho

CAPÍTULO UM O castelo estava caindo aos pedaços, mas às duas da madrugada, sob um luar inútil, Danny não conseguia ver isso. O que via parecia sólido como o diabo: duas torres redondas com um arco entre elas e, na frente desse arco, um portão de ferro que dava a impressão de não ser aberto havia trezentos anos, ou quem sabe nunca o tivessem feito. Danny jamais tinha estado num castelo, nunca visitara aquela parte do mundo, mas algo naquilo tudo lhe era familiar. Ele parecia ter uma lembrança muito antiga daquele lugar, não exatamente como se já tivesse estado ali, mas como se tivesse sonhado ou lido num livro. No topo das torres havia aqueles dentes quadrados que as crianças põem nos castelos quando os desenham. O ar estava frio, enfumaçado, como se o outono já houvesse chegado, embora fossem meados de agosto e as pessoas em Nova York se vestissem com roupas leves. As árvores estavam perdendo as folhas — Danny sentia como elas pousavam em seu cabelo e ouvia seu estalo embaixo das botas. Estava procurando uma campainha na porta, uma aldraba, uma luz: algum jeito de entrar ali, ou ao menos um jeito de achar o caminho para entrar. Estava ficando pessimista. Danny esperara duas horas numa pequena cidade melancólica no fundo de um vale pelo ônibus que o levaria àquele castelo, um ônibus que parecia que não ia chegar nunca, até que ele levantou a cabeça e avistou sua forma negra contra o céu. Depois, começou a caminhar, puxando sua mala Samsonite e sua antena parabólica por uns três quilômetros morro acima, com as minúsculas rodinhas da mala se agarrando em pedras, raízes e tocas de coelho. O fato de ele mancar também não ajudava. A viagem toda tinha sido daquele jeito: uma chatice depois da outra, começando com o avião que ia partir de madrugada do aeroporto Kennedy, que foi rebocado para um local descampado após uma ameaça de bomba, rodeado por caminhões com luzes vermelhas que piscavam e por mangueiras gigantescas, o que foi reconfortante, até as pessoas perceberem que o trabalho de todos eles era garantir que a bola de fogo só incinerasse os pobres babacas que já estavam a bordo do avião. Assim, Danny perdera sua conexão para Praga e o trem para o maldito lugar onde estava agora, alguma cidade de nome meio alemão, mas que parecia não ficar na Alemanha. Nem em qualquer outro lugar, na verdade — Danny não conseguia encontrá-la nem na internet, embora não tivesse certeza da grafia. Ao falar ao telefone com seu primo Howie, que era dono do castelo e pagara as despesas da viagem de Danny para que ele ajudasse na reforma, tentou definir alguns detalhes. Danny: Até agora ainda não saquei — seu hotel fica na Áustria, na Alemanha ou na República Tcheca? Howie: Para dizer a verdade, nem eu mesmo tenho certeza. Essas fronteiras vivem deslizando para lá e para cá. Danny (pensando): É mesmo? Howie: Mas, lembre, ainda não é um hotel. Neste momento, não passa de um velho... A ligação caiu. Quando Danny tentou ligar de novo, não conseguiu. Mas suas passagens chegaram na semana seguinte (o carimbo postal estava borrado) — avião, trem, ônibus — e, vendo que estava desempregado e que tinha de cair fora de Nova York bem depressa por causa de um mal-entendido no restaurante onde trabalhara, ser pago para ir a algum lugar — qualquer lugar, até a maldita Lua — não era algo que Danny pudesse recusar. Ele estava quinze horas atrasado.