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O Viajante e o Mundo da Lua (Cód: 1915851)

Szerb,Antal

Nova Fronteira

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Descrição

Ao traçar a luta íntima entre a rebeldia e a espera pelo milagre da libertação, 'O Viajante e o Mundo da Lua' compõe uma alegoria da transformação da miragem um dia vislumbrada pelo humanismo europeu em desesperança e tragédia. Num estilo marcado pela leveza e concisão, Antal Szerb recorre aos elementos volúveis da comédia para refletir sobre o que é grave e o que é sombrio.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora Nova Fronteira
I.S.B.N. 9788500017971
Altura 0.00 cm
Largura 0.00 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 296
Idioma Português
Cód. Barras 9788500017971
País de Origem Brasil
AutorSzerb,Antal

Leia um trecho

No trem não houve nenhum problema. Tudo começou em Veneza, nos becos. Quando embarcaram no motoscafo que os levaria da estação para o centro e trocaram o Canal Grande pelo caminho mais curto, à direita e à esquerda os becos chamaram a atenção de Mihály. Mas a essa altura não se ocupou muito deles porque, no início, as marcas próprias de Veneza o envolveram por completo: a água entre as casas, as gôndolas, a laguna e a rosada luminosidade do vermelho-tijolo da cidade. Mihály estava na Itália pela primeira vez, aos 36 anos de idade, em lua-de-mel. Durante os longos anos de peregrinação andara por todos os lados, passara anos na Inglaterra e na França, porém sempre evitara a Itália; sentia que não chegara a hora, não estava preparado. Guardava-a também entre as coisas de adulto, como a procriação, e em segredo tinha medo dela... tinha medo dela como do sol forte, do perfume das flores e das mulheres muito bonitas. Se não se casasse e se não tivesse a intenção de passar o começo da vida de casado, segundo as regras, numa lua-de-mel na Itália, talvez adiasse a viagem até a morte. Apesar disso, chegava como se não viesse para a Itália, mas como se estivesse apenas numa lua-de-mel, o que era bem diferente. O VIAJANTE E O MUNDO DA LUA 8 De fato, foi seu casamento que tornou possível essa viagem. Assim, pensava, o perigo representado por esse país não o ameaçava mais. Os primeiros dias correram em paz, entre as alegrias de uma lua-de-mel e a visitação mais suave, descontraída, da cidade. Como se esperaria das pessoas muito inteligentes e possuidoras de espantosa autocrítica, Mihály e Erzsi se empenharam em encontrar o meio-termo entre o esnobismo e a simplicidade. Não se exauriram para cumprir tudo o que o Baedeker exigia, mas desejavam menos ainda ser daqueles que voltavam para casa e diziam orgulhosos: "Os museus?… em museus, naturalmente, não estivemos", e se entreolhavam envaidecidos. Numa noite foram ao teatro e quando voltaram ao hotel, Mihály sentiu que teria muito prazer em beber alguma coisa. Não sabia exatamente o que, ansiava por um vinho doce, e lhe ocorreu o sabor singular, clássico, do vinho de Samos que ele tantas vezes saboreara em Paris, na rue des Petits Champs número 7, em uma pequena loja de vinhos; pensou que Veneza era bem ou mal quase a Grécia; lá ele certamente encontraria vinho de Samos ou quem sabe Mavrodaphne, porque não conhecia bem os vinhos italianos. Pediu que Erzsi subisse sozinha, ele logo estaria de volta, apenas tomaria alguma coisa, "não mais que um copo, de verdade", disse com ar sério, porque Erzsi, também cerrando os lábios, recomendou moderação, como se esperaria de jovens noivas. Distanciando-se do Canal Grande, em cuja margem ficava o hotel, Mihály chegou às ruas dos arredores da Frezzeria, onde, nessa hora da noite, muitos venezianos também vagavam ao modo estranho das formigas que caracterizava a gente da cidade. As pessoas andavam apenas em algumas ruas, como formigas prestes a iniciar VIAGEM DE NÚPCIAS 9 a travessia da trilha do jardim; as demais ruas ficavam vazias. Mihály também se ateve ao caminho das formigas imaginando que os bares e as fiaschetterias se estenderiam ao longo das ruas percorridas pelas pessoas e não na escuridão incerta das travessas vazias. Encontrou de fato muitos lugares onde se vendiam bebidas, mas de certa forma nenhum deles era o que ele procurava. Todos tinham algum senão. Em um deles havia pessoas excessivamente elegantes, no outro, gente simples demais, e a nenhum ele conseguiu associar a bebida que buscava. De certa forma, a bebida tinha um sabor mais velado. Aos poucos sentiu que ela decerto seria vendida em um único local em Veneza, e ele teria de encontrá-lo seguindo o instinto. Foi assim que chegou aos becos. Ruas muito estreitas se ramificavam em ruas mais acanhadas, e por onde ele andava as ruelas todas se tornavam cada vez mais escuras e apertadas. Se estendesse os braços, seria capaz de tocar, ao mesmo tempo, as duas fileiras opostas de casas, casas silenciosas, com grandes janelas, atrás das quais, pensava, dormitavam vidas italianas secretamente intensas. As casas ficavam tão próximas que era quase uma indiscrição andar por aquelas ruas à noite. O que era o encantamento e o êxtase estranhos que o assaltaram entre os becos? Por que se sentia como quem por fim chegara em casa? Talvez uma criança pudesse sonhar coisas assim - uma criança que morasse em mansões ajardinadas, mas que temesse os espaços amplos -, quem sabe um adolescente quisesse viver num lugar apertado, onde cada metro quadrado tivesse um valor singular, dez passadas significariam uma violação de fronteira; somos capazes de passar décadas junto de uma mesa decrépita e vidas humanas podem se esvair numa poltrona; mas nem isso oferece segurança. O VIAJANTE E O MUNDO DA LUA 10 Assim perambulou em meio aos becos antes de notar que amanhecia e que estava do outro lado de Veneza, no Cais Novo, de onde se viam a ilha do cemitério e mais além as ilhas misteriosas, entre elas a de São Francisco no Deserto, que fora um dia abrigo dos leprosos, e, a uma grande distância, as casas de Murano. Ali moravam os venezianos pobres a quem o lucro do movimento dos estrangeiros chegava menos e de longe, lá ficava o hospital, e dali partiam as gôndolas dos mortos. Alguns despertavam e iam para o trabalho; e o mundo parecia incomensuravelmente sombrio, como acontece quando não dormimos à noite. Encontrou um gondoleiro que o levou para casa. Erzsi havia muito passava mal de nervosismo e de cansaço. Somente à uma e meia lhe ocorreu que, a despeito das aparências, em Veneza também era possível se telefonar para a polícia, atitude que de fato ela tomou com a ajuda do porteiro da noite, sem resultado, naturalmente. Mihály parecia um sonâmbulo. Estava terrivelmente cansado e não conseguiu dar respostas razoáveis às perguntas de Erzsi. - Os becos - disse -, eu tinha de ver os becos à noite, faz parte, outras pessoas também os exploram. - Mas por que você não avisou, ou por que não me levou junto? Mihály não soube responder, enfiou-se na cama com ar de ofendido e adormeceu com uma sensação muito amarga. "Assim é o casamento", pensou, "ela é incapaz de compreender, toda explicação é inútil. É verdade que eu também não compreendo".