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Para Viver com Poesia (Cód: 3092991)

Quintana,Mário

Globo Editora

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Descrição

Depois de se dedicar, nos últimos anos, a relançar de modo tão sistemático quanto digno as obras completas do poeta gaúcho (através da Coleção Mário Quintana), a editora dá continuidade ao trabalho consistente de manter viva sua obra com uma nova antologia, de viés temático: 'Para Viver com Poesia', com seleção e organização de Márcio Vassallo.
A questão chave de toda antologia, por ser um recorte, é o que recortar. Pois recortar implica em eliminar muito, assim como em dar muito destaque a pouco. Toda antologia é, então, uma forma de crítica. Para viver com poesia é uma antologia que se alia à obra antologiada, ao buscar nela os temas dominantes, e ao usar os temas encontrados como motivos das partes da antologia. São os temas da obra, enfim, que determinam não somente os conteúdos das partes como o próprio número de partes da antologia. Mais do que um recorte, pode-se, portanto, falar aqui em síntese.
Para viver com poesia divide-se, enfim, em vinte partes, correspondentes aos temas centrais da obra de Quintana: “Para olhar por outro ângulo”, “Para levar a infância a sério”, “Para despertar a fantasia”, “Para ver com olhos de primeira vez”, “Para perceber a arte”, “Para chegar mais perto dos poetas”, “Para notar diferenças”, “Para alimentar mistério”, “Para reparar”, “Para mirar no espelho”, “Para encarar”, “Para seguir em frente”, “Para ler em boa companhia”, “Para clarear sentimento”, “Para provocar inquietude”, “Para amansar o coração”, “Para dar corda na preguiça”, “Para suspeitar”, “Para aproveitar o percurso”, “Para viver com poesia”. Porém o viés temático tem aqui uma implicação formal, como, aliás, é de rigor em poesia. Pois nem sempre um poema trata unicamente de um tema. Na verdade, quase nunca. De modo que os temas recorrentes de uma obra poética costumam ser como ecos nela dispersos, ou como a melodia dominante de uma sinfonia, que é citada e revisitada ao longo da composição em vários momentos. O resultado, aqui, é que organizar a antologia por temas significa, muitas vezes, recortar poemas, para então agrupar os versos com um mesmo tema. O resultado porém não trai, de modo algum, a obra de Quintana.
Em primeiro lugar, porque ao lado das formas fixas, como o soneto, que requerem um desenvolvimento orgânico, a poesia de Quintana usa, com muita freqüência, uma sintaxe modernista, feita justamente da justaposição de versos livres. Em segundo lugar, porque Quintana é um grande criador de frases, ou seja, um poeta cujos versos, comumente, têm um forte poder mnemônico, destacando-se então do poema original para viver na memória da gente em forma de citação e recitação. Em terceiro lugar, porque apesar de certa propalada simplicidade, que muitos aproximam da ingenuidade, Quintana pode parecer leve, pode mesmo parecer ingênuo - mas, por trás das aparências, não é uma coisa nem outra. Como um Chaplin dos versos, Quintana trata a dureza das coisas com uma ironia que se reveste de suavidade. A suavidade, porém, é já uma resposta irônica, logo, lúcida, de Quintana à própria dureza das coisas, e, portanto, pode ser tudo, menos ingênua. Na verdade, muitas vezes se aproxima de certa (saborosa) filosofia existencial, à maneira de alguns filósofos antigos (em que pesem a dicção coloquial e a ironia modernas).

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Globo Editora
Cód. Barras 9788525048868
Altura 18.00 cm
I.S.B.N. 9788525048868
Profundidade 1.50 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 2
Ano da edição 2010
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 120
Peso 0.44 Kg
Largura 12.00 cm
AutorQuintana,Mário