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Relatório da Cia - Che Guevara (Cód: 1983868)

Dias,Mauricio

Nova Fronteira

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Descrição

Médico, idealista e revolucionário, Ernesto Guevara de La Serna, o Che Guevara, lutou em prol da liberdade por várias bandeiras, em pleno auge do comunismo. Neste livro são confrontados fragmentos de documentos da CIA e agenda de Che, também é traçado um paralelo entre sua vida e as investigações de agência de inteligência americana.

Características

Peso 0.44 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora Nova Fronteira
I.S.B.N. 9788500022296
Altura 23.00 cm
Largura 15.50 cm
Profundidade 0.00 cm
Número de Páginas 152
Idioma Português
Cód. Barras 9788500022296
País de Origem Brasil
AutorDias,Mauricio

Leia um trecho

*** Prefácio *** Ele não acredita. Decididamente, Douglas Henderson, embaixador norte-americano em La Paz, não dá crédito ao general-presidente René Barrientos e ao comando militar da Bolívia, que, alarmados, falam sobre o aparecimento do “perigo castro-comunista” naquele país andino. Apesar do descrédito do grande aliado, e também fiador da ditadura, no começo de março de 1967, “o Exército boliviano começa a receber relatórios sobre um grupo de forasteiros com barba, na região sudeste do país”, registra retrospectivamente um relatório secreto da CIA, de 8 de agosto. Naquele mês, aos olhos do embaixador, a “ameaça guerrilheira” pareceu um pretexto, alegado apressadamente pelos militares da Bolívia para engordar o caixa. Era muito ruim a imagem dos bolivianos junto às autoridades norte-americanas em La Paz e em Washington. Como sempre. Ironicamente, os americanos batizam de “lista para o Papai Noel” a série de pedidos econômicos militares de Barrientos, como registrou, em 18 de março, em relatório secreto ao Departamento de Estado, o embaixador Henderson. No entanto, em 1963, o secretário de Estado Dean Rusk tinha avisado ao presidente boliviano Paz Estenssoro que Fidel Castro “poderia organizar atos de terrorismo no hemisfério ocidental”. E é desde 1964 que os Estados Unidos treinam secretamente uma “força-tarefa” composta por 27 homens na região de Santa Cruz, na Bolívia. Enfim, a “polícia do mundo” não parece estar de braços cruzados. Mas, da parte americana, continua-se – aparentemente – a não dar muito crédito aos supostos confrontos armados na região de Nancahuazu. Nesse caso, a referência ao governo americano não inclui a CIA. Henderson escreve a Rusk, naquele agitado mês de março, no calendário político boliviano: “O governo boliviano ainda não produziu provas evidentes quanto à existência de tal ameaça.” Che estava sumido e a CIA tentava desesperadamente rastrear os passos de um rebelde que tinha como propósito disseminar a revolução pelos quatro cantos do mundo. A vontade existia. As condições políticas, não. Um exagero, portanto. Àquela altura, em meados dos anos 1960, nem mesmo a vitória em Cuba estava consolidada. Aviões ainda partiam de Miami para incendiar os canaviais e abalar a economia de Cuba. Mas a ilha já provocava pesadelos no governo dos Estados Unidos. Ernesto Che Guevara, identificado freqüentemente como espírito, guia do regime castrista, parece ter assumido a responsabilidade de exportar a revolução para todo o hemisfério. Para isso, os agentes cubanos utilizam amplamente o manual dele (sobre o manual, mais à frente fazemos uma análise) [...] O sucesso é a coisa que Che oferece aos leitores latino-americanos no volume A guerra de guerrilhas(Havana, Instituto Nacional de Reforma Agrária, 1960, 187 páginas), e é aqui que se esconde o grande perigo deste livro. Pregando a vitória e explicando como alcançá-la, Guevara oferece um catalisador capaz de derrotar a moderação que está na cabeça dos aspirantes revolucionários latino-americanos. [...] Ele propõe abertamente uma revolução contra a ordem socioeconômica estabelecida, cujos maiores defensores são os elementos conservadores nacionais e o capital estrangeiro (sobretudo o capital dos Estados Unidos). Che estava sumido. Mas as idéias que plantou circulavam livremente e provocavam reações diversas aqui e ali. Era lido por seguidores e adversários. Um relatório secreto da CIA, de 11 de abril de 1962, mostra a Agência "muito interessada nas estratégias da guerra não convencional" e que, por isso, mantinha-se em dia com a leitura de dois clássicos: A guerrilha de Mao Tsé-Tung e A guerra de guerrilhas, de Guevara. O documento registra, inclusive, que "o presidente Kennedy teria lido ambos e que os mantinha sempre à mão". 1 Relatório do Departamento de Estado, secreto, 22 de setembro de 1960. Identificar o paradeiro de Che é ponto de honra. As incertezas, criadas quando ele deixou o Ministério das Indústrias, abrem caminho para as fantasias, alimentadas pela desinformação. No dia 28 de abril, foi permitido a um funcionário de nossa embaixada ver um relatório de seis páginas redigido no dia 17 de abril pelo embaixador francês em Havana, Negrier. [...] Está escrito que Castro e Dorticós,2 de um lado, e Che Guevara e Aragones, de outro, começaram uma série de discussões. Segundo Negrier, Castro teria nomeado Che embaixador em Moscou, mas ele teria recusado a oferta. Nada foi publicado na mídia, sobretudo a propósito de Guevara (conhecido pela sua indiscrição) [...] O documento nos foi passado por Raoul Spitalier (proteger a fonte), responsável pelas questões latino-americanas do Ministério do Exterior francês [...]. 3 Antes de chegar à Bolívia, Che Guevara passa pela África e amarga uma derrota ao entrar com seus homens na guerra do Congo. Quase perde a vida. Até chegar lá é criado um enorme mistério, alimentado por uma grande especulação em torno de uma pergunta: onde está Che? [...] Guevara saiu de cena desde o dia 14 de março, data do retorno dele a Cuba, após uma viagem de três meses à África e à China comunista. O desaparecimento dele desencadeou muitos rumores em Havana, tanto em relação ao lugar onde estaria nesse momento como sobre as relações dele com Fidel. Não podemos excluir totalmente a possibilidade de que Che tenha caído em desgraça, embora seja mais provável que ele continue a desenvolver um papel importante no regime castrista [...].4 O medo multiplica o mito. Guatemala? Venezuela?... Ontem à noite, o embaixador da Guatemala me comunicou que recebeu a seguinte informação de uma fonte não especificada: Che Guevara estaria agora na Guatemala. O embaixador colombiano também me disse que haveria sinais da presença de Che Guevara naquele país. Comuniquei a ambos que, pelas notícias da imprensa, Che estaria na Venezuela.5 2 Osvaldo Dorticós Torrado (1919-1983) voltou do exílio no México após a vitória da revolução e foi eleito, por um Conselho de Ministros, presidente de Cuba em 17 de julho de 1959. Permaneceu no cargo até 2 de dezembro de 1976. 3 Relatório enviado ao Departamento de Estado pela Embaixada dos Estados Unidos em Paris, confidencial, 6 de maio de 1965. 4 Boletim da CIA, secreto, 12 de junho de 1965. 5 Telegrama da Embaixada americana em Montevidéu ao Departamento de Estado, em 18 de junho de 1965. 7 ... Colômbia? República Dominicana? Uruguai? Argentina? Argélia? URSS? Onde está Che? Rumores (repetimos: rumores) dão conta de que Che Guevara está não somente na Guatemala, Colômbia e Venezuela, mas também na República Dominicana, no Uruguai, na Argentina, na Argélia, na URSS e em muitos outros países. O Departamento de Estado não tem informações confiáveis capazes de confirmar os boatos acima. Na nossa opinião, desde seu desaparecimento, em meados de março, Che ficou em Cuba; não caiu em desgraça; continuará a desenvolver um papel importante no partido e em Cuba [...].6 Atarantada, a CIA perde o senso da realidade. Espiões ineficazes, aguardam inconfidências da rádio oficial do governo e se surpreendem quando não ouvem a notícia que esperam. [...] Rádio Havana não fez nenhum comentário sobre o lugar no qual poderia se encontrar Che Guevara, ausente da cena pública desde seu retorno a Cuba no dia 14 de março.7 Sem alternativas, os homens da CIA e as fontes americanas em Havana caem na mais elementar rede de intrigas. Jurgensen (proteger a fonte) comunicou a um funcionário da nossa embaixada ter recebido de uma fonte oficiosa (habitualmente confiável) a seguinte informação: Che Guevara, enfermo e politicamente em desgraça, foi exonerado do cargo e poderia estar na União Soviética. O conflito quanto aos rumos da economia cubana entre Fidel Castro e Guevara entra nas considerações mais seguras da CIA. Sobre esse conflito, Che silenciava e Fidel o negava. Mas ele existia. Joseph Starobim, ex-importante membro do Partido Comunista dos Estados Unidos da América, está escrevendo um ensaio para a revista Foreing Affairs sobre o movimento comunista na Europa Ocidental. [...] Durante a estada dele na Itália, Starobim teve uma longa conversa com o jornalista Saverio Tutino, que tinha acabado de chegar de Cuba, onde trabalhou como correspondente de jornais comunistas 6 Circular do Departamento de Estado, confidencial, 23 de junho de 1965, a todas as unidades diplomáticas dos Estados Unidos na América Latina. 7 Noticiário da CIA, secreto, 24 de junho de 1965. 8 Telegrama da Embaixada dos Estados Unidos em Paris, 26 de junho de 1965. 8 italianos [...] Na opinião de Tutino, Che Guevara não caiu em desgraça, mas está aborrecido. Em março desse ano, após a volta dele (Che) a Cuba, o primeiro-ministro Fidel Castro comunicou a Guevara que as teorias dele sobre desenvolvimento econômico e, de um ponto de vista mais prático, suas idéias sobre o que deveria ser feito para sanear a economia cubana, não estavam mais alinhadas com a cúpula do regime (incluindo o próprio Fidel). Então, Castro sugeriu que seria melhor para todos que Che passasse do Ministério das Indústrias para outra função prestigiada no governo [...]. Che aceitou deixar o cargo de ministro das Indústrias, mas recusou outro cargo. As idéias nas quais ele acreditava profundamente eram refutadas e isso, na opinião de Che, era um equívoco. Seria, então, errado e inútil trabalhar para um objetivo no qual ele não acreditava. Desse confronto, no qual se pode sentir o vento frio soprado de Moscou, teria surgido a decisão de Che de sair de Cuba. Mas com outra missão que não agradaria aos soviéticos. Coube a ele a tarefa de criar o ambiente para que o novo regime da ilha, isolado, não fosse sufocado pelos adversários.9 As análises não levam isso em consideração. Posteriormente, apesar do contraste entre Che (o revolucionário) e Fidel (o governante), a aliança entre os dois parece não ter-se rompido. Na opinião de Tutino, Guevara teria recusado o cargo de prestígio 10 oferecido por Castro, e insistiu em se manter tranqüilamente à margem. Parece que essa atitude deixou Fidel consternado: em seguida, Fidel teria convidado Che (pelo qual, segundo Tutino, Fidel continua a ter profunda devoção) a rever suas posições. Depois de receber outra recusa de Che, Castro resignou-se, embora continue pensando ser possível que Guevara volte logo ao trabalho. Desde então, Che retirou-se para uma pequena comunidade rural na Província do Oriente [...]. Comentário: na minha opinião, a versão de Tutino sobre o destino de Guevara é bastante plausível. Coincide com o caráter de Che e explicaria por que Castro, em várias ocasiões, o elogiou enquanto circulavam rumores sobre o fato de Che ter caído em desgraça. Mas, considerando plausível por um momento a versão de Tutino, podemos pensar que o “retiro” de Guevara equivale a um 9 Ver 18 Brumário. 10 Não há menção ao cargo, mas poderia ser, como foi especulado, a embaixada em Moscou. É sabido, no entanto, que Guevara entrou em colisão ideológica com a União Soviética. Em um famoso discurso na Argélia, Che Guevara atacou direta e duramente a política da União Soviética nos países subdesenvolvidos, então chamados de Terceiro Mundo. 9 torpedeamento político. Depois de ter se esforçado para nunca entrar em conflito com Che, não passará muito tempo até que Fidel (que tem as cartas na mão) perca a paciência. Se isso ocorrer, Guevara estará fora do poder de maneira definitiva, já que, num eventual confronto com Castro, Che perderia.11 Não só os arquivos da CIA, mas também os papéis do Departamento de Estado, são um manancial inesgotável de especulações sem sentido, principalmente quando os documentos passam pela estufa parisiense. Eles ainda procuram Che. Raoul Spitalier, responsável pelas questões latino-americanas no Ministério Exterior francês, recentemente mostrou a um funcionário da nossa Embaixada um relatório proveniente da Embaixada francesa em Havana, no qual há especulações sobre o local em que poderia estar Che Guevara. Embora os diplomatas e jornalistas presentes em Cuba tenham investigado exaustivamente o tema (alguns de maneira discreta, outros nem tanto), tornou-se impossível obter informações corretas sobre a saúde de Guevara ou sobre o lugar onde está atualmente. O documento continua citando dois relatórios escritos por fontes bem situadas, e, normalmente, confiáveis. O primeiro relatório afirma que Guevara se encontra nos arredores de Havana; o segundo afirma que ele está sendo submetido a normas disciplinares por ter agido “de maneira indiscreta” e ter cometido “erros de avaliação”. Spitalier comentou, depois, que o embaixador francês em Havana, Negrier, [...] está convencido de que Guevara se encontra em Cuba gravemente doente [...].12 Fidel Castro sinaliza que, fora de Cuba, Che tinha outra tarefa que, com ironia não percebida na ocasião, foi chamada de “esforço modesto”. [...] Ernesto “Che” Guevara, ex-ministro das Indústrias e o mais influente revolucionário do regime castrista, abandonou a cena política cubana e, também, a ilha. No dia 3 de outubro, Castro leu publicamente uma carta, escrita provavelmente por Guevara, no dia 1º de abril,13 na qual Che renova os sentimentos de respeito a Castro e à revolução cubana. Porém, Castro declarou que agora 11 Memorando confidencial da conversa entre o professor Joseph Starobim, membro do Instituto Columbia de estudos sobre o comunismo e Wayne S. Smith, do Departamento de Estado, 12 de agosto de 1965. 12 Relatório confidencial ao Departamento de embaixada dos Estados Unidos em Paris, em 13 de setembro de 1965. 13 Tudo acontece em 15 dias. Che voltou a Cuba em 14 de março, depois de três meses entre China (onde se encontrou com Mao Tsé-Tung), Argélia e dez países africanos. Fidel já estava decidido. Sabe-se que a divulgação da carta de despedida de Che foi precipitada e recebeu reprovação do próprio guerrilheiro. Pressão soviética? 10 Guevara teria que fazer um “esforço modesto” para os progressos da revolução em outros países não especificados. É provável que Che tenha caído em desgraça, em conseqüência das divergências políticas com Castro, sobre temas como a solução dos problemas da economia cubana, a “linha justa” para as atividades revolucionárias no hemisfério ocidental.14 A CIA comemora a oposição da União Soviética a Che. As angústias da agência estão muito perto do fim. [...] Parece que a queda de Guevara foi resultado de sua persistente oposição às políticas aconselhadas pela União Soviética. As visões de Che sobre o desenvolvimento econômico e sobre a política exterior de Cuba, que se refletiam na sua hostilidade geral à linha soviética, podem ter tido um papel crucial. Considerado o maior portavoz da militância revolucionária de Cuba, Guevara desaprovava o alinhamento de Castro com a União Soviética, sobre o tema da disputa sino-soviética [...] Em dezembro de 1964, Guevara partiu para uma viagem de três meses às Nações Unidas, à África e a Pequim. Nesse período, Castro perdeu toda a confiança nas teorias dele, e decidiu em favor da escola econômica “revisionista”, liderada pelo presidente Dorticós e Carlos Rafael Rodríguez [...].15 Com a queda de Che, o alinhamento da revolução cubana com a União Soviética nas questões domésticas e internacionais, entra decididamente numa fase nova16 [...]. A opção de Fidel Castro pelo “revisionista” Rodríguez expõe, de forma inegável, o choque com Che Guevara na questão econômica. Fidel não dava sinais de ter perdido a confiança no rebelde Che, como mostra o drible que dá na imprensa para enganar a CIA, no jogo de contra-informação do serviço secreto cubano. Che Guevara, a essa altura, já está no Congo. [...] A nossa fonte afirma que, durante uma conversa com alguns jornalistas em Havana (até agora não divulgada em Cuba) Fidel Castro deixou entender que Che Guevara se encontra atualmente na Guatemala.17 14 Noticiário da CIA, secreto, de 16 de outubro de 1965, Nara. 15 Carlos Rafael Rodríguez Rodríguez (1913-1917), economista. Em 1959, vitoriosa a Revolução, ele inicia trajetória ascendente no regime. Foi presidente do Instituto Nacional da Reforma Agrária, o INRA (1962-1965), dirigente nacional das Organizações Revolucionárias Integradas (ORI) e do Partido Unido da Revolução Socialista (PURS). Membro do Comitê Central do novo Partido Comunista de Cuba e vice-primeiroministro de Fidel Castro. 16 Relatório da CIA, secreto, de 18 de outubro de 1965. 17 Relatório do Departamento de Estado da embaixada dos Estados Unidos no Cairo, em 12 de fevereiro de 1966. 11 Em setembro, quase às vésperas dos acontecimentos na Bolívia, a CIA finalmente chega à conclusão de que Che Guevara saiu de Cuba. Mas a agência de informações americana ainda tem uma pegunta: onde está Che? [...] Ernesto “Che” Guevara foi o expoente político mais dogmático na ênfase dos incentivos morais para aumentar a produtividade. Mas a opinião de Castro prevaleceu sobre esta e outras questões ideológicas, e Che desapareceu da cena cubana no começo de 1965.18 Che está na Bolívia desde novembro de 1966, onde chega vindo de São Paulo com um falso passaporte uruguaio, usando o nome de Adolfo Mena González. Está irreconhecível. De cabeça raspada, quase careca, usa enormes óculos escuros, uma prótese na boca, e aparenta muito mais do que os 39 anos que registra sua certidão de nascimento. Desde meados de 1966, alguns fiéis colaboradores cubanos de Che – já com os codinomes de Papi, Pombo e Tuma – estão em ação de reconhecimento militar na Bolívia, onde montaram um campo-base na região de Nancahuazu. E Guevara chega ali em 7 de novembro, a bordo de um jipe. “Hoje começa uma nova fase”, anota esperançoso, a 7 de março, no diário de campanha. Na selva boliviana ele abrirá caminho com um facão, como ocorreu durante a luta travada contra Fulgêncio Batista, oito anos antes, em Cuba. Tudo feito, como sempre, sob contínuos ataques de asma. Graças à ampla memorialística que surgiu nos últimos quinze anos, hoje já se sabe que a CIA e os serviços secretos bolivianos sabiam da presença de Che na Bolívia já no final de 1966. Essa informação bombástica cai ruidosa em Langley, sede da CIA nos Estados Unidos, graças, provavelmente, a uma planejada “inconfidência” da União Soviética, que, além de considerar Guevara um corpo estranho à “comunidade dos países socialistas”, julgava a revolução armada uma política a ser neutralizada imediatamente. Não por acaso, no outono de 1966 chega a Moscou Mario Monje, o secretário do Partido Comunista boliviano, que relata 18 Noticiário da CIA, secreto, 30 de setembro de 1966. 12 com abundância de detalhes a preparação da insurreição por parte de Guevara e de seus homens. A presença de Che e o chamado à luta armada atraem parte dos comunistas bolivianos (principalmente os mais jovens) e provocam uma evasão nas fileiras do partido que irrita e preocupa os líderes comunistas no país. A ruptura entre Monje e Guevara ocorrerá pouco depois, em Nancahuazu, no dia 31 de dezembro de 1966, como registra o diário de Che. A CIA, envolvida diretamente nas ações contra a guerrilha, cuida de isolar o embaixador Henderson e, em tese, a própria Casa Branca. O diplomata não é informado dos preparativos da guerrilha guevarista. Embora tenha se tornado um personagem marginal aos acontecimentos cotidianos, os registros feitos por Henderson, agora publicados, são imprescindíveis para uma melhor compreensão da história da guerrilha. Os falcões da CIA têm fortes motivos para manter a distância aquele diplomata, nomeado embaixador pelo presidente John Kennedy, em 1963. Henderson, em La Paz, não deixa escapar uma oportunidade de lembrar a Barrientos que os insurgentes capturados pelo Exército devem ser processados, e não eliminados com um tiro na nuca, após uma ou mais sessões de torturas que, como o tempo provaria, fazem parte do manual de métodos da agência de informações norte-americana. A desconfiança do embaixador em relação aos bolivianos é tamanha que ele recebe com ceticismo até mesmo a notícia do primeiro conflito armado entre guerrilheiros e Exército, em 23 de março de 1967. Um confronto que causa a morte de nada menos do que sete soldados bolivianos. Pouco depois, no dia 28, as dúvidas de Henderson se dissipam: “Temos agora informações suficientes para poder confirmar que existe de fato atividade de guerrilha entre Camiri e Nancahuazu, e que esta poderia constituir uma ameaça à segurança do governo boliviano”, escreve o embaixador num telegrama secreto a Washington. Até a imprensa local já fala abertamente da presença de Guevara naquele momento. Com efeito, desde o dia 14 de março, dois guerrilheiros estão nas mãos da polícia e são duramente interrogados pela inteligência da 4ª Divisão do Exército boliviano. Os meses de abril, maio e junho de 1967 revelam-se decisivos para o destino da insurreição. Um acampamento dos cubanos é ocupado pelo Exército. Em 10 de abril, um novo e violento tiroteio acontece em Iripiti: três soldados morrem. O diário de um guerrilheiro, Braulio, revela a presença de “Ramon”, que teria recebido 25 mil dólares de Havana (Ramon é Guevara, que, ao ouvir a notícia pelo rádio, muda seu codinome para “Fernando”). Em 20 de abril, o francês Regis Debray e o argentino Ciro Bustos são apanhados pelo Exército e confessam que o revolucionário argentino se encontra na Bolívia. Como pintor amador, Bustos esboça os retratos dos guerrilheiros. A divisão de Che já se separou da comandada pelo cubano Joaquín, codinome de Juan Vitalo Acuña Núñez. Os rebeldes passam fome e sede. Em 2 de maio, os americanos enviam uma dúzia de instrutores militares a Santa Cruz, sob o comando do major Robert “Pappy” Shelton. Eles têm a tarefa de treinar os 1.500 rangersbolivianos com a missão de aniquilar a guerrilha comunista. Mas o presidente Barrientos tem problemas: os militares ameaçam um golpe para empurrar o governo ainda mais para a direita. E, como se não bastasse, ainda se intrometem os militares argentinos do ditador Juan Carlos Onganía, que fornecem napalm aos bolivianos para bombardear a área na qual se supõe estarem os insurgentes. O conflito corre o risco de se internacionalizar, um pesadelo terrível para os americanos. As ditaduras latino-americanas – Brasil e Argentina, notadamente – chegam a cogitar o envio de tropas para a Bolívia. Naquele momento, Guevara anota no diário de campanha que “poderia ser o primeiro episódio de um novo Vietnã”. E não faltam preocupações a Henderson em relação ao Exército boliviano, “que tende à euforia e às soluções ‘mágicas’ em vez de se dedicar a cuidar das reformas necessárias nas Forças Armadas”, escreve ele, em 24 maio de 1967, ao Departamento de Estado Por fim, o fantasma de Che reaparece entre as linhas da correspondência top secret dos diplomatas e dos espiões. De fato, será preciso esperar até 25 de agosto de 1967 para que o embaixador anuncie o envio à capital americana das “provas” da presença de Guevara no comando da guerrilha. Em 7 de julho, os rebeldes ocupam por algumas horas o vilarejo de Samaipata e Che tem um momento de otimismo. Na região mineira de Oruro e Catavi, em junho, o governo reprime com violência uma manifestação popular. Dezenas de mineradores são massacrados pelo Exército. Barrientos receia que possa haver uma ligação entre a guerrilha e aquele movimento. Enquanto isso, o Departamento de Estado tenta controlar o governo boliviano, que ameaça insensatamente declarar guerra à Cuba de Fidel. Henderson está convencido de que a guerrilha é um elemento de “perturbação”, mas não uma “ameaça” à estabilidade do governo Barrientos. Os fatos dirão que estava certo. “O campesinoboliviano é um ser muito mais primitivo do que o camponês cubano de 1959” – escreve a Washington logo após a morte de Che. “Protege com esmero seus interesses e desconfia de quaisquer intrusos, forasteiros ou representantes do governo.” A Guevara falta a adesão popular. Ele se dá conta disso todo o tempo, mas, de modo dramático, percebe mais claramente o fracasso nos últimos meses de luta. Nenhuma ligação com o exterior, nenhum recrutamento entre os campesinos, a rede urbana de apoio se desmantela e há um desabamento do moral entre os guerrilheiros. Na noite de 30 para 31 de agosto, o destacamento guerrilheiro de Joaquín é exterminado durante uma emboscada armada pelo Exército, nos arredores de Vado del Yeso. Entre as nove vítimas também está Tamara Bunke, de codinome “Tania, a guerrilheira”. Seu corpo é resgatado às margens do Rio Grande muitos dias depois. Havia nascido em Buenos Aires, em 1937, de pais comunistas alemães. Poliglota, em 1961 se muda para Cuba, vinda da Alemanha Oriental e inicia suas atividades de inteligência a serviço de Che. Em 1964 está em La Paz com o nome de Laura Gutierrez Bauer, em ação de reconhecimento militar. Por muitos dias Guevara se ilude, e escreve em seu diário que a notícia da eliminação da retaguarda rebelde “é uma lorota colossal”. Mas as forças armadas bolivianas já apertam o cerco ao redor dos 17 homens de Che. Em Vado del Yeso, o Exército seqüestra novas fotos e os falsos passaportes dos rebeldes. Em 22 de setembro de 1967, em Washington, o ministro das Relações Exteriores boliviano exibe aos delegados da Organização dos Estados Americanos as provas irrefutáveis da presença de Ernesto Guevara e dos cubanos na Bolívia. Naqueles mesmos dias, o presidente Barrientos oferece uma recompensa de 50 mil pesos pela captura do revolucionário argentino, vivo ou morto. A estratégia coolde Henderson começa a dar seus primeiros frutos. O embaixador discute satisfeito sobre isso com Barrientos e o general americano Porter durante um jantar, no final de agosto. Em 25 de setembro, na região de Quebrada del Yuro, seiscentos rangers treinados pelo major Shelton iniciam a manobra de cerco da já esgotada divisão de Che. Na tarde de 8 de outubro, Guevara é capturado por uma patrulha comandada pelo capitão Gary Prado. Amarrado pelos pulsos e ferido na panturrilha, é levado ao vilarejo de La Higuera. “Sou Che, e valho mais vivo do que morto”, teria confessado aos soldados que não tiraram os olhos dele a noite toda. Essa é uma das versões, das muitas que existem, em torno da prisão e da execução de Che. Ao amanhecer do dia 9 chegam de helicóptero o coronel Zenteno Anaya e o cubano-americano Félix Rodríguez, de codinome Félix Ramos, um agente da CIA. Tentam interrogar o prisioneiro (“Papai”, na linguagem cifrada do Exército boliviano), mas Guevara, desdenhoso, se limita a chamar Rodríguez de gusano (verme): este não se abala. Impassível, continua a fotografá-lo e a fazer perguntas. É mais uma versão. Em um livro de memórias, publicado em 1989 (em reação apressada à divulgação do diário de campanha de Che), Rodríguez escreverá que tentou de todas as maneiras convencer os bolivianos a não matar Che. A idéia dos “gringos” seria a de levá-lo prisioneiro ao Panamá. Os documentos agora publicados criam dificuldades para se acreditar nessa hipótese. O primeiro a revoltar-se contra a execução de Che é justamente Henderson, que se sente traído pelos seus. Nos dias que se seguem revirará as contradições existentes nas várias versões sobre a morte de Guevara divulgadas pelos bolivianos e pelos jornais. “Excesso de mentiras” é o sentido do relatório confidencial enviado a Washington em 18 de outubro de 1967. E em outro despacho secreto confessa todo o seu constrangimento pelo envolvimento dos agentes da CIA e de outras agências. Protesta de maneira discreta, afirmando que para ele é impossível “identificar as pessoas que, nesta noite, abandonaram a Bolívia a bordo de um avião militar americano”. Esse pedaço da história será conhecido algum dia. Até os soviéticos finalmente podem respirar aliviados: há anos tentam convencer os cubanos de que “não há condições para uma revolução armada em boa parte da América Latina”. E, sem meios-termos, é o primeiro-ministro Kosigin em pessoa a repetir isso para Fidel no final de junho de 1967, durante um encontro reservado em Havana: “Não se pode pensar que o envio de uma dezena de homens a um país estrangeiro possa levar a uma revolução imediata.” O tema da conversa é justamente o que chamam de aventureirismo “bakuniano” de Che. O governo dos Estados Unidos não consegue esconder a própria satisfação: a vitória, para eles, foi muito além do previsto. O fracasso da expedição de Guevara e a sua morte são “um duro golpe” para Fidel Castro e “o repentino revés decerto contribuirá para esfriar os ânimos de muitos extremistas latino-americanos”. Eventualmente, escreve o conselheiro especial Walt Rostow ao presidente Johnson, deveríamos nos orgulhar do treinamento oferecido pelos instrutores do major Shelton aos rangers bolivianos que capturaram o guerrilheiro argentino, no âmbito da terapia de “medicina preventiva” ministrada pelos Estados Unidos aos vários governos fantoches sul-americanos. Poucos dias após a trágica morte de Ernesto Guevara, no entanto, o Departamento de Estado muda de rota e recomenda a toda sede diplomática norte-americana na América Latina que não se demonstre nenhuma “euforia” pelo ótimo resultado. De fato, não há motivos para tranqüilidade. A morte de Che muito provavelmente terá o efeito de enfatizar “o caráter permanente da luta contra o imperialismo no continente”, escrevem os analistas de Washington. Preocupados, os americanos assistem ao nascimento de um mito revolucionário, já comparado a Bolívar, El Cid e Espártaco, cujo rosto leonino invadirá as praças do mundo inteiro durante a contestação juvenil de 1968. Um mito tão perigoso quanto suas idéias. Esses documentos aqui publicados – uma espécie de “diário” ianque sobre Che na Bolívia – se encerram com uma nota macabra. O Departamento de Estado recebe uma série de relatórios com os resultados da autópsia do cadáver de Guevara e da perícia datiloscópica das mãos amputadas do guerrilheiro, conservadas em formol até chegarem a La Paz, onde são examinadas por peritos argentinos. Trata-se precisamente do revolucionário Ernesto Rafael Guevara de la Serna. Che morreu, as digitais confirmam. Che vive, o mito prova. Onde está Che?