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Sangue Quente - Contos Com Alguma Raiva (Cód: 5621646)

Tajes, Claudia

L&PM

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Descrição

Neste “Sangue Quente”, nono livro de uma muito sólida carreira, Claudia Tajes torna a mostrar o quanto há de absolutamente sério e grave nas coisas engraçadas. Revelando a leveza graciosa do drama – da raiva, melhor dito –, nossa autora demonstra um domínio extraordinário do conto, incluídas as particularidades e sutilezas que o gênero demanda. São histórias cheias de ironia finíssima, construídas com uma linguagem simples e elegante; chega a parecer que escrever é fácil. E dá-lhe a denunciar desde os fiascos causados pela variação dos hormônios ao sentimento de culpa que só um belo ataque de raiva pode proporcionar. O ridículo humano escancarado. Claro que quem conhece a Claudia sabe que, naqueles acessos de genuína modéstia que lhe são característicos, quase se desculpando por fazer os outros se divertirem, ela vai dizer que esse livro é mais um acidente de percurso do que, digamos, “literatura séria”. O modus vivendi claudiano tem disso: de achar pouca coisa joias que qualquer autor adoraria assinar, de não dar a mínima para rapapés e de olhar o mundo de uma perspectiva oblíqua e quase absurda de tão verdadeira. Ela não se leva a sério exatamente por saber onde mora o perigo.

Características

Peso 0.20 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora L&PM
I.S.B.N. 9788525430342
Altura 21.00 cm
Largura 14.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 136
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788525430342
Número da edição 1
Ano da edição 2013
País de Origem Brasil
AutorTajes, Claudia

Leia um trecho

Costumava dizer que seu pai era rigoroso demais para permitir que ela, a mãe, ou Ruth, a irmã caçula, manifestassem qualquer tipo de sentimento dito feminino. O velho, criado apenas por um tio no interior do interior de algum remoto interior do Rio Grande do Sul, tinha suas próprias ideias sobre o comportamento apropriado para as mulheres da família. Vaidade, romantismo, ciúme, ingenuidade, inveja, tudo o que a literatura para moças descreveu foi vetado em sua casa com pouca conversa e muita energia. Os próprios livros para moças foram vetados. Choradeiras, maledicências, picuinhas, consumismo, só bem mais tarde, em contato com outras mulheres, ela soube o que significavam tais coisas. Se a mãe chegou ao casamento com alguma frescura, por certo perdeu logo na primeira noite. Pobre mãe. Ela e a irmã cresceram como meninos, sempre de calção e camiseta, até que a adolescência lhes permitiu uma indumentária mais feminina, embora várias modas atrasada. O velho só admitia compras em brechós, pagando uma pechincha por pantalonas, quando a moda era calça justa, ou minissaias, enquanto as outras mulheres arrastavam longas saias. A irmã, mais bonita, noivou com o primeiro pretendente que bateu à porta. Antes que o pai pudesse reagir, estava morando com o rapaz, à espera de um casamento que não veio. Em uma tarde de junho, sem deixar nem um post-it, Ruth desapareceu para nunca mais. O pai considerou a filha mais moça morta, e talvez estivesse mesmo. Um AVC sofrido pela mãe levou junto as lembranças que sobravam da irmã. Restaram ela e o pai. Professora, namorou o auxiliar administrativo da secretaria para deixar de ser virgem. Teve grandes amores, todos unilaterais. Ficou sozinha quando o velho quis voltar ao interior para aguardar a hora dele, que ainda não chegou. Assim que se viu dona da casa, não pensou em convidar um homem ou fazer uma festa. Apenas se deu o direito de ficar horas ao telefone com amigas tão solitárias quanto ela, de comer chocolate até a intoxicação, de chorar por nada e de chutar o cachorro, já cego, que o pai amava muito mais do que a família. Nunca se sentiu tão feminina. Em um domingo de tédio, entrou pela primeira vez em um chat de relacionamento. Às onze da noite, segundo matéria de comportamento de um jornal local, horário em que as salas de bate-papo se enchiam de homens. Ou de seres se dizendo homens. Estabeleceu algumas regras para iniciar uma conversação. Para começar, não aceitaria abordagens chulas do tipo “quer teclar, gostosa?”. Também não toleraria erros de português, tinha pavor de erros de português. Aos vinte e poucos anos, recusou um rapaz de intenções sérias e boa situação financeira porque, no primeiro bilhete que lhe endereçou, ele escreveu siúme. Foi de sala em sala procurando a com o maior número de nicknames masculinos. Após longa espera por um lugar, digitou o nome pensado há meses, PROFESSORA SAFADA, em caixa-alta. E deu o enter. Não demorou para um homem puxar assunto. O nick dele: CALÇADÃO DE IPANEMA, e logo no primeiro contato ficou claro que o Calçadão em questão não homenageava a famosa atração turística do Rio de Janeiro. “E aí, cherosa, qué conhecer um bem-dotado de verdade?” Ele escreveu cherosa sem o I, ela notou, ainda que com CH. E qué sem o R, com um inconveniente acento agudo no final. A primeira frase já deixou evidente o tipo de gente que ele era, alguém capaz apenas de uma conversa sem classe e vulgar. CALÇADÃO ainda incluiu no texto uma carinha passando a língua de um lado a outro da boca. Um emoticon, ela observou. E repetiu a pergunta. “Cherosa? Qué conhecer um bem-dotado lejítimo?” Legítimo ele escreveu com J. Ela demorou alguns segundos para digitar, com G. E o fez com letras maiúsculas. QUERO. Não fossem tantos sentimentos sufocados, ela tinha certeza, tudo seria diferente.