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Segredos de Um Pecador - Livro 4 (Cód: 8710257)

Hunter,Madeline

Arqueiro

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Descrição

Leona Montgomery foi criada na China. Com pai inglês e mãe portuguesa, aprendeu desde cedo a se adaptar aos costumes de outras terras e adquiriu uma cultura e uma sofisticação incomuns às mulheres de seu tempo.
Por isso, quando o pai, já viúvo, morreu, deixando os dois filhos em uma situação financeira difícil, Leona assumiu os cuidados do irmão caçula e os negócios da família.
Trabalhando pela recuperação da Montgomery & Tavares, ela viajou por diversos países, negociou com homens rudes e enfrentou piratas. Recém-chegada a Londres, agora espera fechar parcerias comerciais e dar sequência a uma investigação que o pai não pôde concluir.
Mas estar em Londres significa algo mais. Sete anos atrás, Edmund, um naturalista inglês, deixou Macau à noite, depois de um beijo de despedida que Leona nunca esqueceu, e retornou à Inglaterra.
O que Leona não poderia imaginar era que Edmund na verdade é Christian Rothwell, o marquês de Easterbrook, um homem poderoso envolto em mistérios – e que talvez se beneficiasse com o fim das investigações de seu pai. Dividida entre o dever e a tentação, é na cama do marquês que ela fará suas maiores descobertas.

Características

Produto sob encomenda Sim
Editora Arqueiro
Cód. Barras 9788580413823
Altura 23.00 cm
I.S.B.N. 9788580413823
Profundidade 1.40 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2015
Idioma Português
Número de Páginas 240
Peso 0.25 Kg
Largura 16.00 cm
AutorHunter,Madeline

Leia um trecho

Capítulo 1 Silêncio. Um núcleo escuro e calmo absorve o caos em sua quietude. O ritmo tranquilo da inspiração e da expiração. Uma pulsação. A vibração fundamental da natureza estendendo-se ao infinito. Consciência de tudo e de nada. Nenhum pensamento. Nenhum sonho. Nenhum desejo. Pura existência.Conhecimento primordial. E então flutuar no núcleo. Finalmente. Singular, mas ao mesmo tempo transcendente. Apenas um pulsar no escuro. Só, mas integrado a um ritmo maior, o... Uma perturbação. Um grito ao longe, cauteloso e preocupado, invadindo o vazio perfeito. – Por que está se esgueirando por aí, Phippen? – Peço desculpas, senhor. Achei que... O senhor parecia estar dormindo, então pensei em entrar e levar a bandeja... Um grito mais alto. Agora de medo. Sempre. O mundo urrava de medo. – Sairei imediatamente, senhor. – Leve a bandeja, Phippen. Vamos fazer a interrupção valer a pena, pelo menos. Caos. Consternação. A delicada cacofonia de metal e louça caindo. – Minhas mais profundas desculpas, senhor. A banqueta... Limparei isso do tapete em dois tempos. Terei saído antes que o senhor possa dizer “Phippen é um tolo”. – Phippen é um tolo. Minha nossa, você ainda está aqui. Barulho. Sons tanto audíveis quanto espirituais. Desespero entre os tilintares e suspiros. O núcleo escuro encolhendo, encolhendo... Christian, o marquês de Easterbrook, abriu os olhos para ver o criado intrometido que acabara com sua meditação. Phippen, o novo pajem, tentava pegar o conteúdo da bandeja sem fazer barulho. Impossível, é claro. A mera presença de uma pessoa já significava barulho. Enrubescido e de quatro, Phippen cuidadosamente colocava o copo sobre a bandeja, contraindo-se a cada mínimo ruído. Pegou o próprio lenço para limpar a poça de café que ameaçava manchar o tapete. Medo. Preocupação. Raiva também. Irritado consigo mesmo e com o novo patrão, cujos hábitos tornavam seu trabalho tão difícil. Phippen não ficaria muito tempo. Os pajens nunca ficavam. Christian se levantou da poltrona e caminhou até o rapaz. – Pode me dar a bandeja. Eu seguro enquanto você recolhe as peças. – Pois não, senhor. Obrigado, senhor. É muita gentileza sua, meu senhor. Você é um idiota, senhor. Excêntrico, instável, incompreensível... Outra perturbação. Um tremular estranho no que restava do núcleo esmaecido. Christian fechou os olhos e se concentrou naquele tremor. Distante, porém discernível, vinha interferindo em sua meditação com muita frequência ultimamente. Hoje, Christian havia levado uma eternidade para superar seus efeitos. Caminhou até as janelas viradas para o norte. Não havia ninguém no jardim. Atravessou todo o quarto de dormir para olhar pelas janelas com vista para o sul. Phippen, que estava ajoelhado, tremeu quando o patrãose aproximou. Christian pegou o pires de suas mãos trêmulas e o colocou sobre a bandeja, devolveu-a bruscamente ao pajem e seguiu andando. O som da porcelana caindo novamente chegou até ele assim que se aproximou da janela. Na rua, uma carruagem esperava diante da porta de sua casa. Alguém entrou rapidamente nela, evitando a garoa tão comum às primaveras de Londres. Uma mulher de altura mediana e passos ligeiros, usando um vestido verde-escuro, adentrou a penumbra da carruagem. Nariz delicado. Queixo elegante. Um suspiro melódico do passado. Ele teve certeza de que o escutara, apesar da distância e da janela fechada. As últimas névoas da meditação o deixaram. Sentiu uma pulsação diferente. Forte. Agressiva. Fixou o olhar na carruagem. Daquele ângulo, o rosto da mulher ficava oculto pelo chapéu e pela escassez de luz. O lacaio fechou a porta e ela puxou a cortina. A mão. A mão dela. Impossível... O lacaio contornou a carruagem e assumiu seu assento à chuva. Só então Christian notou o homem. Sua atenção estava tão voltada para a mulher que ele nem havia percebido os trajes orientais do lacaio e sua longa trança. – Um casaco, Phippen. Botas. O pajem se levantou com cuidado, equilibrando penosamente a bandeja. – Está bem, senhor. Só vou colocar isso do lado de fora e... Christian agarrou a bandeja e a bateu com tanta força sobre uma mesa que a louça pulou. – Botas, rapaz. Já. Mesmo sendo apenas algumas peças, vestir-se demorou demais. Christian se deu conta disso quando descia para a área social da casa. Foi alertado pelo bom senso quando estava no último lance das escadas. Aquela carruagem já teria ido embora há tempos, mesmo com a multidão nos arredores da Grosvenor Square. A pé ou a cavalo, ele nunca conseguiria segui-la. Deu meia-volta, caminhou até a sala de visitas e entrou. Sua tia Henrietta e a jovem prima Caroline estavam acomodadas no canapé junto a uma das grandes janelas. Ao se aproximar, percebeu que as duas loiras cochichavam. Provavelmente sobre os avanços de Caroline em sua segunda temporada de eventos sociais. A ansiedade a respeito disso inundava os cômodos do andar de baixo. Respingara nele assim que abrira a porta. Henrietta o cumprimentou com um olhar vago e brilhante e um sorriso vazio e artificial. Ela tentou disfarçar quanto aquela interrupção a irritava, porém Christian percebeu isso tão bem quanto se fosse expressado em voz alta. Henrietta e a filha viviam ali só porque, em um raro surto de generosidade um ano atrás, ele o permitira. Agora, Hen queria que todos a vissem como dona da casa, não uma hóspede. Como ele não aceitava aquilo de modo algum, sua companhia nunca era bem-vinda. – Levantou cedo hoje, Easterbrook. Henrietta deixou transparecer certo alívio ao ver que ele calçara botas, mas seus olhos também refletiram sua infinita aflição pelo fato de ele estar sem gravata e com os cabelos desgrenhados. – É inconveniente para a senhora, tia Hen? – Longe de mim considerar uma inconveniência. A casa é sua. – Achei que ainda pudesse ter visita. Notei uma carruagem de minha janela e hesitei em descer até que a pessoa tivesse ido embora. – Deveria ter se juntado a nós – disse Caroline. – É provável que apreciasse mais a companhia dela do que mamãe. Nossa visitante é bem singular. Fiquei surpresa por mamãe não a ter mandado embora. – Quase mandei – confessou Hen. – No entanto, nunca se pode prever a reação de gente desse tipo. Sua fortuna e seus antecedentes são questionáveis, mas existe a chance de os anfitriões fazerem vista grossa a isso por ela ser divertida. Se a excluísse agora, em que posição ficaria mais tarde, quando ela fizesse outros contatos? A tia balançou a cabeça de forma exasperada e perplexa. – É sempre difícil julgar os esquisitos. Mas ela não é propriamente esquisita. Não como Phaedra. Diria que é exótica. Existe uma diferença, Caroline, e é preciso ficar alerta e tomar cuidado para... – Qual é o nome dela? – perguntou Christian. A tia piscou, surpresa. Ele nunca demonstrara interesse por suas visitas. – Era a Srta. Montgomery – contou Caroline. – Mamãe e eu a conhecemos em uma festa na semana passada. O pai era comerciante no Extremo Oriente, mas ela alega uma relação com a nobreza de Portugal por parte de mãe. A Srta. Montgomery está visitando Londres pela primeira vez. Veio de Macau. – O que ela queria? – perguntou Easterbrook. Henrietta olhou para ele com curiosidade. – Foi uma visita social – respondeu a tia, intrigada. – Ela só quer fazer amizades que a ajudem a circular na temporada de eventos sociais. – Eu a considero muito interessante – acrescentou Caroline. – Interessante demais para ser amiga de uma jovem – repreendeu-a Henrietta. – Ela é mundana demais para se aproximar de você, Caroline. Suspeito que seja uma aventureira. – Eu não acho – rebateu Caroline. – Também a considerei muito mais estimulante do que a maioria das pessoas que nos visitam. Christian saiu da sala enquanto a tia e a prima discutiam sobre a Srta. Montgomery. Foi procurar o mordomo para saber que endereço constava no cartão de visita da mulher. Leona Montgomery contornou Tong Wei e inclinou a cabeça na direção do espelho. Olhou seu reflexo com censura enquanto amarrava o chapéu. Jovem, mas não exatamente. Bonita, mas não exatamente. Inglesa, mas não exatamente. Ela sentia que as pessoas em Londres avaliavam com muita atenção quem ela era e os traços de sua fisionomia. Era diferente em Macau. Lá, todos eram “não exatamente” alguma coisa. Tong Wei, que estava ajoelhado, finalmente se levantou. Leona olhou para a estátua de Buda diante da qual ele estivera. Ela era cristã, mas entendia muito bem a devoção de seu guarda. As visões religiosas asiáticas permeavam tudo na China, mesmo entre a comunidade europeia. – Eu deveria ir com a senhora – disse Tong Wei. Sua expressão permaneceu impassível, mas Leona sabia que ele se preocupava com sua segurança naquela cidade barulhenta e abarrotada de estranhos. – Seu irmão esperaria isso de mim. – Quero ser discreta. Ela olhou para seu vestido de passeio cinza. Extremamente inglês, fora entregue pela modista no dia anterior. – Já que se recusa a se vestir como um lacaio inglês, não pode me acompanhar. Ambos sabiam que mesmo as vestimentas inglesas não deixariam Tong Wei parecido com um típico lacaio inglês. As sobrancelhas raspadas e a longa trança, o rosto redondo e os olhos puxados evidenciavam que ele era chinês, ainda mais do que o tecido ricamente bordado em tons de carmim que compunham suas roupas exóticas. – Leve Isabella com você – disse ele. – Não é comum ver mulheres sozinhas. Não as de alta classe. Isabella olhou para a frente. Seu pincel ficou paralisado, apoiado sobre o papel em que ela desenhava lindas imagens sobre suas aventuras. – Eu não me importo em usar minhas roupas inglesas – disse ela. – Tong Wei pode achá-las bárbaras, mas não sou tão purista. Isabella não se referia apenas a suas opiniões. Metade chinesa e metade portuguesa, ela era um híbrido de Oriente e Ocidente. Se no momento usava um vestido chinês folgado, era tanto por ser confortável quanto por preferi-lo. – Não devo me demorar na Royal Exchange. Só quero ver como esse enorme centro de comercialização está organizado, para poder entrar com confiança da próxima vez. Se for parecido com o que há em Cantão, estará tão movimentado que ninguém vai notar minha presença. Leona imaginava que seria assim. Sua roupa fora escolhida pela discrição. Havia momentos em que ela não queria chamar a atenção de forma alguma. – E se vir Edmund lá? – perguntou Isabella. Um pequeno tremor de mau presságio e empolgação tomou conta de Leona. A reação contraditória acontecia sempre que Edmund era mencionado nessa viagem. – Não vou encontrá-lo. Cavalheiros não se metem com comércio.Vindo a Londres, ela se dera conta de que Edmund fora um cavalheiro no verdadeiro sentido inglês da palavra. Ela agora entendia o que aquilo significava no mundo de seu pai. É claro, um homem podia ser um cavalheiro e ainda ser o que Edmund alegara: um naturalista, um aventureiro. Podia até mesmo ser um ladrão. – Então talvez, mais cedo ou mais tarde, você o encontre em uma das residências que visita – aventou Isabella. Seria útil se encontrasse. Ela suspeitava que uma de suas missões em Londres seria realizada muito mais rapidamente se ela e Edmund se reencontrassem. A propósito, Edmund, qual o seu nível de canalhice? Ela verificou seu reflexo de novo. Não era totalmente inglesa, mas era inglesa o bastante para a tarefa daquele dia. – Duvido que eu demore mais de duas horas – disse ela. – Enquanto eu estiver fora, Isabella, por favor, veja se consegue estimular aquela cozinheira que contratei a fazer um jantar menos insosso. A Bury Street era mais calma do que a St. James Square, ali perto. E também muito menos cara. Leona continuava preocupada de não ter escolhido um endereço bom o bastante, mas não podia pagar nada melhor. Ela estranhou quando saiu de casa. Franziu a testa e olhou para a direita e para a esquerda. Para onde fora a carruagem? Estivera esperando-a ali poucos minutos antes quando ela fora colocar o chapéu. Um imponente coche bloqueava sua visão da extremidade sul da rua. Ela ficou na ponta dos pés e inclinou a cabeça para olhar atrás dele. Perto do cruzamento seguinte, vislumbrou a carruagem que havia alugado pelo período de sua estada. Reconheceu o Sr. Hubson, o cocheiro, que fora indicado pelo estabelecimento onde contratara o aluguel. Talvez a chegada do coche tão luxuoso tivesse exigido que o dela se retirasse. Ainda não estava familiarizada com todos os costumes da cidade. Ela acenou para o Sr. Hubson e caminhou na direção dele. Ao passar ao lado do grande coche, um homem apareceu em seu caminho. – Srta. Montgomery? Leona ficou surpresa por ele se dirigir a ela. Jovem e loiro, tinha uma expressão de deferência no rosto, apesar da abordagem inesperada. Um lacaio, ela imaginou, mas ele não usava a vestimenta dos outros dois lacaios que acompanhavam o grande veículo. Estes se afastaram, posicionando-se fora do seu campo de visão, bem atrás dela. – Sim, sou a Srta. Montgomery. Quem é o senhor e o que deseja? Ele apontou para a porta do coche. Havia uma insígnia. Um brasão. O jovem presunçoso era empregado de um dos nobres da região. – Meu senhor solicita sua presença – disse ele. – Vamos levá-la à casa dele e trazê-la de volta depois. – Enviar um convite por escrito não seria mais educado do que mandar que me interpelem no meio da rua? – Lorde Easterbrook tem hábitos pouco usuais e é impulsivo em seus convites. Ele não teve a intenção de ofender, posso lhe garantir. Leona assimilou essa revelação a respeito do dono do coche. Tinha ido à casa de Easterbrook dois dias atrás, em uma visita a sua tia viúva, Lady Wallingford. Provavelmente o marquês pretendia lembrar à filha de comerciantes que ela não era companhia adequada para sua tia. Ele podia ter feito o comunicado por carta, em vez de encenar esse pequeno teatro para exibir seu poder. Ela temia perder o contato com Lady Wallingford antes de colher os frutos que ele poderia dar. Aquela possibilidade não criava simpatia de sua parte pelo tal Easterbrook, nem o fato de ser convocada como se fosse uma escrava. – Sei onde fica a casa de lorde Easterbrook. Vou em minha própria carruagem, obrigada. Por favor, volte e diga ao seu senhor que lhe farei uma visita no devido tempo. Ela tentou desviar do jovem. Ele a impediu com um passo para o lado. – Meu senhor ordenou que a levasse, Srta. Montgomery. Não ouso desobedecê-lo. Por favor... Ele estendeu o braço na direção da porta da carruagem, bloqueando ainda mais o caminho. Ela olhou para a rua atrás dele. Seu cocheiro havia desaparecido, abandonando o veículo e a passageira. Ela calculou a distância até sua casa e pensou se Tong Wei ouviria se gritasse. Tentou esconder a preocupação cada vez maior. – Por favor, diga ao marquês que sinto muito, mas tenho outro convite que ocupará a tarde de hoje. Posso visitá-lo amanhã. Com licença. O jovem olhou para além dela, para os dois lacaios. A expressão dele fez com que os pelos da nuca de Leona se arrepiassem. De repente, foi agarrada pela cintura. Alarmou-se. Um grito chegou a sua garganta, mas o pânico lhe tirou o fôlego e impediu que ele saísse. A rua e as casas giravam num borrão. Forçou-se a manter a objetividade. Já estava sentada dentro do coche, com o jovem loiro. Eles se apressavam pela rua. Seu sangue fervia. – Como ousa?! Exijo que pare essa carruagem e me deixe descer. Do contrário, farei uma denúncia às autoridades. O jovem ergueu o dedo diante da boca, indicando que ficasse em silêncio. Algo em seus olhos demonstrava que o mais sábio era obedecer. As lâminas de metal assobiavam cortando o ar. Christian desviava dos golpes de Angelo, o especialista em esgrima, ao mesmo tempo que testava a própria habilidade de se concentrar no duelo. Vinha esgrimindo bastante ultimamente. No decorrer do último ano, ele havia aumentado seus aposentos e eles agora ocupavam todo o segundo andar, acima da área comum da mansão. A lâmina cega de Angelo fez duas fintas rápidas, depois deu o bote. A ponta bateu no peito de Christian, bem no coração. Satisfeito, o mestre se afastou, ergueu a arma e fez uma saudação, curvando-se. – Sua habilidade aumentou de maneira significativa nos últimos meses, lorde Easterbrook. Raramente vejo alguém se aprimorar com tanta rapidez. – Venho praticando. Angelo pegou uma toalha com o lacaio e secou a testa. – Não é a técnica ou a prática que fazem essa diferença, mas algo difícil de nomear. Uma vivacidade recém-adquirida, talvez. Christian não deu a explicação que o outro sutilmente pedia. Não havia como fazê-lo sem parecer louco. Além disso, Angelo não entenderia o divisor de águas pelo qual ele havia passado três meses antes. O foco e o silêncio conquistados com a meditação finalmente haviam sido transferidos para atos físicos. Ele não precisava mais do núcleo escuro para encontrar paz. Esse controle era uma liberdade que Christian havia trabalhado muito tempo para conquistar. Anos. – Por que não frequenta a academia, lorde Easterbrook? Angelo se serviu do ponche que estava sobre a única mesa do cômodo. – Haverá uma apresentação na semana que vem. Uma disputa. O senhor poderia ganhar. Não quer mostrar suas habilidades? Ninguém as conhece além de mim e desse lacaio, mas está quase à minha altura, e isso é muito raro. – Não tenho interesse em competições. E não me importa que ninguém saiba que estou à sua altura. – Isso é raro. A maioria dos homens se orgulha de suas conquistas e procura a fama por meio delas. Angelo não quisera dizer “raro”, mas “suspeito”. Estranho. Excêntrico. Christian sabia que todas essas palavras estavam ligadas a seu nome. Por isso, Angelo, como a maioria das pessoas, tinha cautela e preocupação com ele. Angelo pegou o casaco e o vestiu rapidamente, preparando-se para ir embora. Não foi rápido o bastante, no entanto. As intenções e considerações do homem já enchiam o ar de vibrações indesejadas. Angelo e o lacaio saíram. Na mesma hora outro homem entrou. Passou o trinco na porta, depois caminhou até onde Christian estava. – Nós a trouxemos. Ela finalmente saiu de casa sem aquele chinês. Christian se serviu de um pouco de ponche. – Conseguiu evitar um espetáculo público, Miller? – Por pouco. Foi prudente ter levado os outros dois. Ela começou a suspeitar, então tivemos que agir rápido antes que escapasse ou gritasse. – Vocês não a machucaram, imagino. Do contrário, terei que matá-los. Miller tratou o alerta como uma brincadeira, mas sua arrogância e autoconfiança diminuíram o suficiente para indicar que não tinha certeza absoluta de não se tratar de uma ameaça real. Como Christian também não tinha certeza, deixou Miller suar um pouco. – Apenas seu orgulho foi ferido, eu garanto. Ele não podia ser repreendido por ter “agido rápido”. O patrão havia orde - nado que trouxesse a Srta. Montgomery, e fora exatamente o que fizera. Jovem, ambicioso, inteligente e não muito preocupado com delicadezas exigidas pela lei, Miller servia ao patrão atual do mesmo jeito que servira a seus superiores durante uma breve passagem pelo exército – sem questionamentos. Nem de longe era tão bom nas tarefas ordinárias de um secretário quanto nas menos tradicionais, que recebia de tempos em tempos. – Ela nos acusou de sequestro – contou Miller. – Porque vocês a sequestraram. – Ela disse que vai às autoridades. – Onde ela está? – No quarto verde. Nós a acompanhamos pela escadaria dos empregados para que Lady Wallingford não tomasse conhecimento. Christian confirmaria se era verdade assim que saísse de seus aposentos. Se a tia estivesse desconfiada, sua perturbação ressoaria pela casa. Ele dispensou Miller. Olhou para sua camisa, os culotes e as botas. Ponderou por cinco segundos se deveria se vestir de maneira mais apresentável para receber a Srta. Montgomery, mas decidiu ir direto ao quarto verde. Leona andava de um lado para outro em sua prisão opulenta, fervilhando de irritação. Era difícil manter a dignidade depois de ser arrancada da rua como uma bagagem perdida. Ainda assim, Leona tinha esperança de haver conseguido. Ela passara o curto trajeto até a Grosvenor Square ignorando seu captor e tratando-o como o lacaio que era. Apenas uma vez estivera a um passo de perder a compostura, quando se dera conta de que o captor achava divertida a sua pose arrogante. Uma semente de preocupação germinou e se esgueirou por sua fúria. Enquanto metade de sua mente se ocupava em elaborar reprimendas mordazes, a outra parte avaliava as implicações do insulto que sofrera. O modo como o marquês a tratara refletia a visão dele a respeito de sua modesta posição social. Quando os outros soubessem de sua falta de cortesia, o imitariam. Nada, nem o sangue de sua mãe, nem as cartas de apresentação, ajudaria sua causa agora. Seus planos em Londres seriam dificultados, alguns deles ficariam quase impossíveis. Ela parou de andar. Passou os olhos pela roupa de cama e pelas cortinas de seda verde, pelos finos móveis de mogno. Depois não viu mais nada ao redor, apenas a lembrança de seu irmão, Gaspar, sorrindo à medida que seu barco se afastava depois de tê-la transferido para o navio em Whampoa. Gaspar lhe parecera tão jovem naquele dia – muito mais jovem do que seus 22 anos. Talvez sua confiança incondicional lhe desse uma aparência juvenil. Ele havia concordado em arriscar tudo nessa viagem. Seu patrimônio e seu futuro estavam em jogo, mas tinha entregado o destino de ambos nas mãos dela. A imagem dele desapareceu e ela voltou a ver o luxo que a cercava. Seu coração ainda batia forte, mas não mais por orgulho ferido. Calma e determinação haviam substituído a raiva. Seu pai havia lhe ensinado que, quando se consegue ver uma adversidade por um ângulo diferente, muitas vezes é possível enxergar uma oportunidade escondida. Observando os acontecimentos atuais por um ângulo diferente, era possível perceber que ela acabara de obter uma audiência com um dos homens de título mais elevado da região. Um homem de tamanha importância poderia ser muito útil. Ela podia querer dar uma bofetada na cara de Easterbrook, porém seria mais prudente conquistar sua confiança. Ela se aproximou do toucador e se abaixou para ver seu reflexo no espelho. Não tão bela, mas, com alguma sorte, bela o bastante. Tirou o chapéu e o colocou sobre a mesa. Beliscou as maçãs do rosto para que ficassem coradas. – Está se arrumando para mim, Srta. Montgomery? A voz a assustou. Seu olhar se desviou do próprio reflexo para o do quarto atrás de si. Viu botas pretas de cano alto e culotes justos nas sombras próximas à porta. Abaixou-se até que as dobras brancas de uma camisa apareceram, depois as pontas de cabelos bem pretos. O intruso parecia um criado, e bem simplório, uma vez que usava vestes tão informais. Só que não era um criado. Sua confiança o revestia de nobreza mais do que qualquer roupa seria capaz. O corpo relaxado exalava a confiança que tinha em relação a sua posição naquele quarto e no mundo. Ela se endireitou e imaginou que linha de raciocínio poderia impressionar um homem como ele. Virou-se para cumprimentá-lo com calma e graça. – O senhor é lorde Easterbrook? – Sim, sou. – Seu convite foi inesperado, lorde Easterbrook, mas fico encantada em conhecê-lo. Ela fez uma pequena reverência. Ele parecia esperar algo mais. Ela não conseguiu imaginar o que poderia ser. Seu sorriso começou a parecer estranho e forçado. Meu Deus, agora que o via dos pés à cabeça, ele lembrava muito um pirata. As botas eram de boa qualidade, mas a aparência geral não era de alguém que se importasse com moda. Os cabelos caíam em ondas soltas que passavam dos ombros. Emolduravam um rosto que, pelo que ela podia ver, era mais jovem do que esperava, e belo o bastante para tornar a falta da casaca e da gravata algo romântico, em vez de grosseiro. A vestimenta imprópria era um insulto, assim como o fato de ela haver sido sequestrada e guiada pela escadaria de serviço, mas ela não tinha como se ater a isso no momento. Ele por fim se curvou. – Por favor, perdoe-me pelo modo rude com que foi trazida até aqui. Minha única desculpa é minha impaciência em encontrá-la a sós. Ele caminhou na direção dela e foi iluminado pela luz das janelas. A claridade deixou as botas ainda mais pretas e a camisa ainda mais branca. Seu rosto também ficou nítido. Olhos escuros que pareciam aquilinos devido ao foco intenso sobre ela. Uma elegância inesperada suavizava os ossos pronunciados de seu rosto. A boca larga se curvava num vago sorriso que facilmente poderia endurecer. Uma estranha sensação tomou conta dela. Era carregada de uma precaução sombria e profunda, mas não desprovida de uma nota de empolgação. O modo como o corpo dele se movimentava... o tom de sua voz... aqueles olhos... De repente, ela o visualizou com cabelos curtos, roupas mais apropriadas e um rosto mais jovem e menos severo. O desnorteamento se transformou em estupefação. Ela estreitou os olhos e olhou fixamente para ele. – Edmund?

Avaliações

Avaliação geral: 4.5

Você está revisando: Segredos de Um Pecador - Livro 4

Marcela Rodrigues recomendou este produto.
19/01/2017

As séries os Hothwells foi até hoje o melhor romance que já li !! Todos os livros são ótimo, tenho todos. A história te prende e te leva pra dentro do livro ! Muito bom

Um ótimo livro ! Uma ótima escritora !
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Danielle recomendou este produto.
29/05/2015

Muito bom

Uma leitura deliciosa
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