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Tenha um Pouco de Fé (Cód: 2871046)

Albom,Mitch

Sextante / Gmt

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Descrição

No princípio houve uma pergunta. - Você faria meu discurso fúnebre? E como costuma acontecer com a fé, pensei que estivessem me pedindo um favor, quando, na verdade, era eu que o estava recebendo. Em seu primeiro livro de não ficção desde A última grande lição, Mitch Albom conta a história real de uma marcante jornada de oito anos entre dois mundos - dois homens, duas fés, duas comunidades. Depois de receber do rabino Albert Lewis o pedido para fazer seu discurso fúnebre, Mitch passa a visitá-lo nos fins de semana. Ao mesmo tempo que mergulha de volta no mundo de fé que havia deixado para trás, conhece Henry Covington, um ex-traficante e ex-dependente químico que se tornou pastor e agora tenta manter em Detroit uma igreja em ruínas e um projeto de assistência a moradores de rua. Movendo-se entre esses dois mundos - cristão e judeu, branco e negro, de fartura e escassez -, Mitch observa como homens tão diferentes usam a fé de forma muito semelhante: o rabino de um bairro nobre, para receber a morte que se aproxima, e o pastor de uma periferia carente, para manter de pé a si mesmo e sua igreja. Nas realidades desiguais, questões em comum se revelam: como enfrentar as dificuldades; o que é o céu; Deus e a importância da fé. Por trás de textos, preces e narrativas de cada grupo, a unidade entre os dois mundos transparece. Tenha um pouco de fé é a trajetória de um homem em busca da crença superior que nos une, uma história sobre o sentido da vida, sobre a perda da fé e sobre ser resgatado por ela. É também um convite à reflexão: e se a religião, em vez de construir barreiras, forjasse elos entre nós?

Características

Produto sob encomenda Não
Editora Sextante / Gmt
Cód. Barras 9788575425435
Altura 21.00 cm
I.S.B.N. 9788575425435
Profundidade 1.00 cm
Acabamento Brochura
Número da edição 1
Ano da edição 2010
Idioma Português
País de Origem Brasil
Número de Páginas 240
Peso 0.45 Kg
Largura 14.00 cm
AutorAlbom,Mitch

Leia um trecho

No princípio... NO PRINCÍPIO houve uma pergunta. - Você faria meu discurso fúnebre? Não entendo, respondi. - Meu discurso fúnebre - insistiu o velho. - Quando eu morrer. Seus olhos piscaram por trás dos óculos. A barba muito bem aparada era grisalha, e ele se mantinha levemente encurvado. O senhor está morrendo? - Ainda não - respondeu ele rindo. Então por que... - Porque acho que você seria uma boa escolha. E acho que, quando chegar a hora, você saberá o que dizer. Pense no homem mais devoto que você conhece. Seu padre.Seu pastor. Seu rabino. Seu imã. Agora imagine-o dando-lhe um tapinha no ombro e pedindo que você diga adeus ao mundo em nome dele. Visualize o homem que manda pessoas para o céu pedindo que você faça o mesmo por ele. - E então? - disse ele. - Você se sentiria confortável com isso? _NO PRINCÍPIO houve outra pergunta. - O Senhor me salvaria, Jesus? Esse homem estava segurando uma espingarda. Escondia-se atrás de latas de lixo na frente de uma casa geminada no Brooklyn. Era tarde da noite. Sua mulher e sua filhinha estavam chorando. Ele vigiava os carros que vinham pelo quarteirão, certo de que os próximos faróis seriam os de seus assassinos. - O Senhor me salvaria, Jesus? - perguntou tremendo. - Se eu prometer me entregar ao Senhor, me salvaria esta noite? Pense no homem mais devoto que você conhece. Seu padre. Seu pastor. Seu rabino. Seu imã. Agora imagine-o com roupas sujas, uma espingarda na mão, implorando a salvação atrás de um monte de latas de lixo.Visualize o homem que manda pessoas para o céu implorando para não ser mandado para o inferno. - Por favor, Senhor - sussurrou ele. - Se eu prometer... _ESTA É UMA HISTÓRIA sobre a fé em alguma coisa, e sobre os dois homens que me ensinaram a acreditar. Demorou muito tempo para ser escrita. Levou-me a igrejas e sinagogas, aos subúrbios e ao centro da cidade, ao "nós" versus "eles" que divide a fé mundo afora. E, finalmente, me levou para casa, para um santuário cheio de gente, para um caixão de pinho, para um púlpito vazio. No princípio houve uma pergunta. Tornou-se um pedido final. - Você faria meu discurso fúnebre? E, como costuma acontecer com a fé, pensei que estivessem me pedindo um favor, quando, na verdade, era eu quem o estava recebendo. 10 PRIMAVERA VERÃO OUTONO INVERNO É 1965... ... e meu pai me leva para a cerimônia religiosa das manhãs de sábado. - Você deve ir - diz ele. Tenho 7 anos, sou novo demais para fazer a pergunta óbvia: por que eu devo ir e ele não? Em vez disso, faço o que é mandado, entro no templo, caminho por um corredor longo e me viro em direção ao pequeno santuário onde acontece a cerimônia para crianças. Uso uma camisa branca de mangas curtas e gravata de presilha. Abro a porta de madeira. Há crianças pequenas pelo chão. Meninos da terceira série bocejam. Meninas da sexta série usam malha preta de algodão e cochicham umas com as outras. Pego um livro de orações. Os bancos de trás estão ocupados, por isso eu escolho um na frente. De repente, a porta se abre e a sala fica silenciosa. O Homem de Deus entra. Caminha como um gigante. Seu cabelo é grosso e escuro. Usa um manto comprido e, quando fala, seus braços balançam fazendo o manto se mover como um lençol adejando ao vento. Conta uma história da Bíblia. Faz perguntas. Caminha pelo tablado. Aproxima-se de mim. Sinto uma onda de calor. Peço a Deus para me tornar invisível. Por favor, Deus, por favor. É minha oração mais fervorosa do dia. MARÇO A grande tradição de fugir ADÃO SE ESCONDEU no Jardim do Éden. Moisés tentou fazer do seu irmão seu substituto. Jonas quis fugir num barco e foi engolido por uma baleia. O homem gosta de fugir de Deus. É tradição. De modo que talvez eu apenas a estivesse seguindo quando, assim que aprendi a andar, comecei a fugir de Albert Lewis. Ele não era Deus, claro, mas aos meus olhos era a coisa mais próxima disso, um homem santo, um homem de fé, o chefão, o rabino principal. Meus pais entraram para a congregação dele quando eu era bebê. Mamãe me sentava no colo, e ele fazia sermões. E, no entanto, assim que percebi quem ele era - um Homem de Deus -, fugi. Se o visse andando pelo corredor, saía correndo. Se tinha de passar pelo escritório dele, corria. Mesmo já adolescente, se o visse se aproximando, me escondia. Ele era alto, media 1,85m, e eu me sentia minúsculo em sua presença. Quando ele olhava para baixo através dos óculos de armação preta, eu tinha certeza de que podia ver todos os meus pecados e defeitos. Por isso fugia. Fugia até que ele não pudesse mais me ver. _PENSAVA NISSO ENQUANTO ia de carro até sua casa, numa manhã, depois de um aguaceiro, na primavera de 2000. Algumas semanas antes, Albert Lewis, então com 82 anos, tinha feito aquele estranho pedido, num corredor, depois de uma palestra minha. - Você faria meu discurso fúnebre? Aquilo me fez parar. Nunca tinham me pedido algo assim. Ninguém - quanto mais um líder religioso. Havia pessoas ao redor, mas ele continuou sorrindo, como se fosse a pergunta mais normal do mundo, até que falei alguma coisa sobre a necessidade de tempo para pensar. Depois de alguns dias, liguei para ele. Certo, respondi, eu honraria seu pedido. Falaria no seu enterro - mas apenas se ele me deixasse conhecê-lo melhor, para que eu pudesse falar sobre ele como pessoa. Achei que isso exi giria alguns encontros. - Concordo - disse ele. Entrei em sua rua. _ATÉ AQUELE PONTO, tudo o que eu sabia sobre Albert Lewis era o que um membro da plateia sabe sobre um ator: sua atuação, sua presença de palco, o modo como mantinha a congregação fascinada com a voz imponente e os movimentos dos braços. Claro, nós já tínhamos estado mais próximos. Ele me dera aulas na infância e presidira cerimônias familiares - o casamento da minha irmã, o enterro da minha avó. Mas eu tinha ficado afastado por 25 anos. Além disso, o que você sabe a respeito do seu ministro religioso? Você o escuta. Respeita. Mas o conhece como pessoa? O meu era distante como um rei. Eu nunca tinha feito uma refeição em sua casa. Nunca tinha saído com ele socialmente. Se ele possuía alguma falha, eu não a via. Hábitos? Não conhecia nenhum. Bem, não é verdade. Eu conhecia um. Sabia que ele gostava de cantar. Todo mundo na nossa congregação sabia disso. Durante os sermões, qualquer frase podia se transformar numa ária. No meio de uma conversa, ele era capaz de entoar vigorosamente os substantivos ou verbos. Ele parecia ser seu próprio show da Broadway. Em seus últimos anos, se você perguntasse como ele ia, seus olhos se franziam, ele erguia um dedo de maestro e entoava: "O velho Rabino grisalho não é mais como antes, não é mais como antes..." Pisei no freio. O que eu estava fazendo? Não era o homem certo para fazer o discurso. Não era mais religioso. Não vivia naquele estado. Era ele que falava em enterros, não eu. Quem faz o elogio fúnebre de um homem que faz elogios fúnebres? Eu queria girar o volante, inventar alguma desculpa. O homem gosta de fugir de Deus. Mas fui levado na outra direção. Conheça o Rebbe SUBI PELA PASSAGEM de veículos e pisei no tapete da entrada, cercado de folhas amassadas. Toquei a campainha. Até isso parecia estranho. Acho que eu pensava que não haveria campainha na casa de um homem santo. Olhando para trás, não sei o que esperava. Era uma casa. Onde mais ele moraria? Numa caverna? Mas se eu não esperava uma campainha, certamente não estava pronto para o homem que abriu a porta. Usava sandálias com meias, bermuda comprida e uma camisa de botões, de mangas curtas, para fora da bermuda. Eu só vira o Rebbe usando manto comprido ou terno. Era assim que nós o chamávamos na adolescência, "O Rebbe". Meio como um super-herói. O Coisa. O Hulk. O Rebbe. Como mencionei, na época ele era uma força imponente, alto, sério, de rosto largo, sobrancelhas grossas, fartos cabelos escuros. - Oláaa, rapaz - disse ele, animado. Ah, oi, respondi, tentando não encará-lo. De perto, ele parecia mais magro e frágil. Seus braços, que eu via expostos pela primeira vez, eram finos e cheios de marcas da idade. Óculos grossos se apoiavam no nariz, e ele piscou várias vezes, como se estivesse tentando ajustar o foco. Parecia um velho erudito que acabava de ser interrompido enquanto se vestia. - Ennnntre - cantou ele. - Enn-trez! Seu cabelo, repartido de lado, estava entre o grisalho e o branco-neve, e a barba cinza e pontuda era muito bem aparada, mas notei alguns lugares onde ele tinha esquecido de raspar. O Rebbe foi arrastando os pés pelo corredor - e eu a reboque, olhando suas pernas ossudas e dando passos pequenos para não trombar com ele. Como posso descrever o que senti naquele dia? Depois disso, descobri, no livro de Isaías, uma passagem em que Deus declara: "Meus pensamentos não são seus pensamentos Nem os seus caminhos são os meus caminhos Pois assim como os céus são mais altos do que a terra Meus caminhos são mais altos do que os seus E meus pensamentos, mais altos do que os seus." Era assim que eu esperava me sentir - mais baixo, indigno. Aquele era um dos mensageiros de Deus. Eu deveria estar olhando para cima, certo? Em vez disso, dava passos de bebê atrás de um velho que calçava sandálias com meias. E só conseguia pensar que ele parecia meio pateta. Um pouco de história PRECISO CONTAR POR QUE tentei fugir do encargo de fazer o discurso fúnebre, que, em termos religiosos, era onde eu estava quando toda essa história começou - para ser honesto, em lugar nenhum. Sabe o que o cristianismo fala dos anjos caídos? Ou como o Alcorão menciona o espírito Íblis, expulso do céu por se recusar a curvar-se diante da criação de Deus? Aqui na terra, cair é menos dramático. Você escorrega. Você se desvia. Eu sei. Eu fiz isso. Ah, eu poderia ser devoto. Tive um milhão de chances. Elas começaram quando eu era garoto, num subúrbio de classe média em Nova Jersey, onde fui matriculado pelos meus pais num curso de três dias por semana na escola religiosa do Rebbe. Poderia ter aderido àquilo. Em vez disso, eu ia para o curso como um prisioneiro arrastado. Dentro da van (com as poucas outras crianças judias do nosso bairro), enquanto nos afastávamos, olhava pela janela com inveja dos meus amigos cristãos que jogavam bola na rua. Por que eu?, pensava. Durante as aulas, os professores distribuíam palitinhos salgados, e eu chupava sonha - doramente o sal até que a campainha tocasse, me libertando. Aos 13 anos, de novo pressionado pelos meus pais, não somente tive de passar pelo treinamento necessário para fazer o bar mitzvah, como precisei aprender a ler a Torá, os rolos sagrados que contêm os cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Cheguei a me tornar um leitor regular das manhãs de sábado. Usando meu único terno (azul-marinho, claro), subia numa caixa de madeira que permitia que meus olhos ficassem acima do pergaminho. O Rebbe ficava ali perto, observando enquanto eu lia. Eu poderia ter falado com ele em seguida, discutido os textos bíblicos da semana. Nunca fiz isso. Apenas apertava sua mão depois dos cultos, entrava no carro do meu pai e ia para casa. Meus anos de ensino médio - mais uma vez por insistência dos meus pais - foram passados principalmente numa escola particular, onde metade do dia era de ensino tradicional, e a outra, de religioso. Junto com álgebra e história europeia, estudei o Êxodo, o Deuteronômio, Reis, Provérbios, tudo na língua original. Escrevi trabalhos sobre arcas e maná, a Cabala, as muralhas de Jericó. Até aprendi uma forma antiga de aramaico para poder traduzir comentários talmúdicos e analisei eruditos do século XII, como Rashi e Maimônides. Quando chegou a época da faculdade, fui para a Universidade Brandeis, onde quase todos os estudantes eram judeus. Para ajudar a pagar os estudos, cuidava de grupos de jovens num templo perto de Boston. Em outras palavras, quando me formei e fui para o mundo, eu era tão versado em minha religião quanto qualquer leigo que eu conhecia. E então? Então praticamente a abandonei. _NÃO FOI UMA REVOLTA. Não foi uma trágica perda de fé. Para ser honesto, foi apatia. Falta de necessidade. Minha carreira de cronista esportivo estava florescendo, e o trabalho dominava meus dias. As manhãs de sábado eram passadas viajando para assistir a jogos de futebol universitário; as manhãs de domingo, aos profissionais. Eu não comparecia a cerimônias religiosas. Quem tinha tempo? Eu estava bem. Estava saudável. Estava ganhando dinheiro. Estava progredindo. Não precisava pedir muita coisa a Deus, e achava que, enquanto não estivesse machucando alguém, Deus também não me pediria grande coisa. Tínhamos firmado uma espécie de arranjo do tipo "você segue seu caminho e eu sigo o meu", pelo menos na minha mente. Eu não comparecia a rituais religiosos. Namorava garotas de muitas crenças. Casei-me com uma mulher linda, de cabelos escuros, cuja família era meio libanesa. Em dezembro, eu sempre lhe dava presentes de Natal. Nossos amigos faziam piadas. Um rapaz judeu casado com uma árabe cristã. Boa sorte. Com o passar do tempo, desenvolvi um sentimento crítico em relação à religião. As pessoas que pareciam histéricas em sua devoção ao Espírito Santo me assustavam. E a hipocrisia devota que eu testemunhava na política e nos esportes - senadores indo das amantes para os cultos nas igrejas, técnicos de futebol violando as regras e depois se ajoelhando para rezar com o time - só fazia piorar as coisas. Além disso, os judeus nos Estados Unidos, tal como os devotos cristãos, muçulmanos ou hindus, não se expunham muito, porque havia uma sensação aflitiva de que alguém por perto não gostava da gente. Por isso eu me segurava. Na verdade, a única fagulha que mantive daqueles anos todos de prática religiosa foi a ligação com meu templo de infância em Nova Jersey. Por algum motivo, nunca entrei para outro. Eu morava em Michigan - a 950 quilômetros de lá. Poderia ter encontrado um lugar mais próximo para rezar. Em vez disso, me agarrei ao meu antigo assento, e a cada outono voava para casa e ficava perto do meu pai e da minha mãe durante as cerimônias dos dias santos. Talvez eu fosse teimoso demais para mudar. Talvez essa questão não fosse suficientemente importante para me incomodar. Mas, para minha surpresa, mantive um certo padrão: Eu tinha um clérigo - e apenas um - desde o dia do meu nascimento. Albert Lewis. E ele tinha uma congregação. Ambos cumpríamos uma sentença perpétua. E isso, deduzi, era tudo o que tínhamos em comum. A vida de Henry AO MESMO TEMPO que eu crescia no subúrbio, um garoto mais ou menos da minha idade era criado no Brooklyn. Um dia ele também teria de enfrentar sua fé. Mas seu caminho era diferente. Quando criança, ele dormia no meio de ratos. Henry era o penúltimo dos sete filhos de Willie e Wilma Covington. Moravam num apartamento minúsculo e apinhado, na Warren Street. Quatro irmãos dormiam num quarto; três irmãs, no outro. Os ratos ocupavam a cozinha. À noite, a família deixava um pote de arroz na bancada, para que os ratos ficassem longe dos quartos. Durante o dia, o irmão mais velho de Henry mantinha os roedores a distância com uma espingarda de chumbinho. Henry cresceu aterrorizado por aquelas criaturas, o sono inquieto, com medo de ser mordido. A mãe de Henry era empregada doméstica - trabalhava principalmente para famílias judias - e o pai era trambiqueiro, um homem alto e forte que gostava de cantar pela casa. Tinha uma voz doce e nas noites de sexta-feira se barbeava diante do espelho cantando "Big Legged Woman". A mulher soltava fogo pelas ventas, porque sabia aonde ele iria. Brigas irrompiam.Ruidosas e violentas. Quando Henry tinha 5 anos, uma daquelas discussões mo- tivadas pelo álcool levou seus pais para a rua, gritando e xingando. Wilma pegou uma espingarda calibre 22 e ameaçou atirar no marido. Outro homem pulou na frente no momento em que ela puxou o gatilho: - Não, moça, não faça isso! A bala o acertou no braço. Wilma Covington foi mandada para Bedford Hills, uma prisão de segurança máxima para mulheres. Dois anos. Nos fins de semana, Henry ia visitá-la com o pai. Conversavam através de um vidro. - Você sente saudade de mim? - ela perguntava. - Sinto, mamãe - respondia Henry. Naquele tempo, ele era tão magricela que o alimentavam com uma fórmula caramelada para que ganhasse peso e carne nos ossos. Nos domingos, ele frequentava uma igreja batista da vizinhança, onde o reverendo levava as crianças depois do culto para tomar sorvete. Henry gostava disso. Foi sua apresentação ao cristianismo. O reverendo falava de Jesus e do Pai, e Henry, que vira imagens de Jesus, tinha que formar sua própria imagem de Deus. Visualizava uma nuvem gigantesca e escura, com olhos que não eram humanos. E com uma coroa na cabeça. À noite, Henry implorava para que a nuvem mantivesse os ratos a distância.