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Uma Razão Para Respirar - Trilogia Breathing (Cód: 7003757)

Donovan ,Rebecca

Pandorga

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Descrição

Na cidade de Weslyn, Connecticut, onda a maioria das pessoas se preocupa em ver e ser vista, Emma Thomas preferia não ser percebida de forma alguma. Ela está mais preocupada em fingir perfeição enquanto puxa as mangas da blusa para baixo para esconder as marcas roxas, não querendo que ninguém perceba quão longe da perfeição ela realmente está. Sem esperar, ela encontra o amor. O amor a desafia a reconhecer seu valor, mas correndo o risco de revelar o terrível segredo que esconde.

O livro 'Uma razão para respirar' é eletrizante da primeira à última página; uma história ímpar sobre mudança, crueldade inesperada e uma garota se agarrando à frágil esperança.

Uma Razão para respirar não é só um romance é um livro que aborda a violência doméstica e todos os dilemas que as crianças e adolescentes que passam por isso precisam enfrentar. A personagem principal vive esta realidade e tenta tornar-se invisível para que as pessoas a sua volta não a percebam. E por meio da amizade e amor ela tenta superar cada dia doloroso até que consiga escapar desta rotina.

Uma história forte, emocionante, dura, real, meiga, triste e doce ao mesmo tempo, que vai mexer com os sentimentos do leitor. Uma leitura envolvente do inicio ao fim.

Características

Peso 0.40 Kg
Produto sob encomenda Não
Editora Pandorga
I.S.B.N. 9788561784324
Altura 23.00 cm
Largura 16.00 cm
Profundidade 1.00 cm
Número de Páginas 496
Idioma Português
Acabamento Brochura
Cód. Barras 9788561784324
Número da edição 1
Ano da edição 2014
AutorDonovan ,Rebecca

Leia um trecho

1. Inexistente

Respire. Meus olhos incharam conforme tentava engolir o nó da garganta. Frustrada com minha fraqueza limpei as lágrimas que forçavam seu caminho pela minha bochecha com as costas de minha mão. Não podia mais pensar nisso – ou explodiria.
Olhei em torno do meu quarto, mas ele realmente não tinha nenhuma conexão comigo – uma escrivaninha de segunda mão com uma cadeira que não combinava apoiada na parede, e ao lado dela uma estante de três prateleiras que já viu muitos lares em muitos anos. Não havia fotos nas paredes. Nenhuma lembrança do que eu era antes de chegar aqui. Apenas um espaço onde podia me esconder – me esconder da dor, dos olhares e das palavras cortantes.
Por que estava aqui? Sei a resposta. Não foi uma escolha para ir e eles não podiam virar suas costas para minha situação. Eles eram a única família que eu tinha e, mesmo assim, não conseguia me sentir grata.
Deitei na cama, tentando me concentrar na lição de casa. Estremeci ao me inclinar para pegar o livro de trigonometria. Não acreditei que meu ombro já estava roxo. Ótimo! Parece que vou precisar usar manga longa de novo essa semana.
A dor pungente em meu ombro fez com que as imagens de horror passassem como um lashem minha mente. Senti a raiva se avolumar, travei minha mandíbula e rangi os dentes. Respirei fundo e permiti que uma onda de vazio me envolvesse. Preciso tirar isso de minha mente, então me obriguei a me concentrar na lição de casa.
Fui desperta por uma leve batida em minha porta. Me ergui sobre o cotovelo e tentei enxergar no quarto escuro. Dormi por uma hora, mas não se lembrava de ter caído no sono.
– Sim – falei, minha voz presa na garganta.
– Emma? – chamou uma voz baixa e preocupada conforme minha porta foi aberta vagarosamente.
– Pode entrar, Jack – tentei soar simpática, apesar de minha disposição contrária.
Sua mão segurou a maçaneta, enquanto sua cabeça – não muito mais alta que a maçaneta – aparecia no vão. Os grandes olhos castanhos de Jack perscrutaram o quarto até encontrarem os meus – pude perceber que ele estava nervoso com o que podia encontrar – e sorriu para mim aliviado. Ele sabia demais para seus parcos seis anos.
– O jantar está na mesa – ele disse, olhando para baixo. Percebi que não era uma mensagem que ele gostaria de ser responsável por dar.
– Já vou. – Tentei sorrir de volta para assegurar que estava bem. Ele voltou em direção às vozes da sala. O tilintar dos pratos e tigelas sendo arrumados na mesa, podiam ser ouvidos no final do corredor, juntamente com a voz animada de Leyla. Se qualquer pessoa observasse essa rotina, pensaria se tratar da perfeita imagem da família americana, todos juntos para desfrutar de uma refeição.
O cenário mudou quando entrei na sala. O ar ficou pesado de discórdia com o lembrete excruciante de minha existência, uma mancha no porta-retrato. Respirei fundo novamente e tentei me convencer que conseguiria passar por isso. Era apenas outra noite, certo? Mas esse era o problema.
Caminhei vagarosamente pelo cômodo até entrar na sala de estar. Meu estômago se revirou quando atravessei o batente. Foquei-me em minhas mãos, conforme as torcia em antecipação.
Para meu alívio, não fui notada ao entrar no recinto.
– Emma! – Leyla exclamou, vindo em minha direção. Abaixei-me, permitindo que ela se aconchegasse em meus braços. Ela envolveu seus braços em meu pescoço. Soltei um gemido ofegante quando a dor reverberou pelo meu braço.
– Você viu meu desenho? – ela perguntou, toda orgulhosa de seus rabiscos cor-de-rosa e amarelos. Senti o olhar dardejando minhas costas, sabendo que se fosse uma faca, eu seria abatida instantaneamente.
– Mamãe, você viu meu desenho do tiranossauro rex? – ouvi Jack perguntar, tentando desviar a atenção de minha entrada. – Ficou maravilhoso, querido – ela elogiou, redirecionando sua atenção para o filho. – Está lindo – disse suavemente para Leyla, olhando dentro de seus olhos castanhos. – Vá até lá e sente-se para jantar, está bem?
– Está bem – ela concordou, sem ter ideia de que seu gesto de afeição causou tensão à mesa de jantar. E como podia? Ela tinha quatro anos e para ela eu era a prima que ela idolatrava, enquanto para mim ela era o sol nessa casa escura. Nunca poderia culpá-la pelo acréscimo de desconforto que seu afeto me causava. A conversa retornou e felizmente me tornei invisível novamente. Após esperar até todos se servirem, me servi de frango, ervilhas e batatas. Podia sentir que cada movimento que fazia era observado, então mantive meu olhar em meu prato enquanto comia. O que peguei não era o suficiente para satisfazer a minha fome, mas não me atrevia a pegar mais.
Não ouvia as palavras vindas da boca dela, enquanto falava sem parar sobre o seu dia no trabalho. Sua voz me atingia, fazendo meu estômago revirar. George respondia com observações reconfortantes, tentando apoiá-la, como ele sempre fazia. A única hora que sou percebida é quando peço licença para me retirar. George olha para o outro lado da mesa com seus olhos ambivalentes e secamente permite que eu me retire.
Recolhi meu prato, juntamente com o de Jack e Leyla, já que eles já haviam se retirado da mesa para assistirem à televisão na sala de estar. Comecei minha rotina noturna de limpar os pratos e colocá-los na máquina de lavar louça, juntamente com as tigelas e panelas que George usou para preparar o jantar.
Esperei que as vozes se afastassem em direção à sala de estar antes de voltar à mesa para terminar de limpá-la. Após limpar os pratos, tirar o lixo e varrer o chão voltei para o meu quarto. Passei pela sala de estar, com os sons da televisão e do riso das crianças no fundo, sem ser notada, como de costume.
Deitei em minha cama, colocando os fones de ouvido de meu iPod e aumentei o volume para que minha mente ficasse muito ocupada com a música para pensar. Amanhã teria um jogo após a escola que me atrasaria, fazendo com que eu perca nosso maravilhoso jantar em família. Respirei fundo e fechei meus olhos. Amanhã seria outro dia – um dia mais perto de deixar tudo isso para trás. Me virei de lado, esquecendo meu ombro por um momento, até que a dor me fez lembrar. Desliguei a luz e deixei que a música embalasse o meu sono. Peguei uma barra de cereal enquanto passava pela cozinha com minha bolsa em uma mão e a mochila pendurada no ombro. Os olhos de Leyla brilharam quando me viu. Fui até ela e beijei o topo de sua cabeça, me esforçando para ignorar o olhar dardejante que recebia do outro lado do cômodo. Jack estava sentado ao lado de Leyla, na bancada, comendo seu cereal – ele me passou um pedaço de papel sem me olhar.
Estava escrito “Boa sorte!” com um giz de cera roxo e com uma tentativa adorável de desenhar uma bola de futebol do lado. Ele me olhou de soslaio para ver minha reação, e eu lhe dei rapidamente um meio sorriso, para que ela não percebesse nossa interação.
– Tchau, pessoal – disse, me dirigindo para a porta.
Antes que chegasse à porta, sua mão gelada agarrou meu punho:
– Largue.
Virei-me para ela. Sua posição não permitia que as crianças testemunhassem seu olhar venenoso.
– Você não pediu por isso em sua lista. Então não comprei pra você. Largue. – Ela estendeu a mão.
Coloquei a barra de cereal em sua mão e imediatamente fui liberta de seu aperto.
– Desculpe – murmurei ao sair da casa, antes que acontecesse mais alguma coisa pela qual eu tivesse que me desculpar. – Então... O que aconteceu quando você chegou em casa? – Sara perguntou, baixando o volume da música punk de rápida batida quando entrei em seu conversível vermelho.
– Hum? – respondi, ainda esfregando meu punho.
– Ontem à noite, quando você chegou em casa – Sara disse impacientemente. – Nada demais, apenas os gritos de costume – retruquei, diminuindo o drama que me esperava quando cheguei em casa após o treino de ontem. Decidi não contar mais enquanto esfregava casualmente meu braço machucado. Por mais que amasse Sara e por mais que eu soubesse que ela faria de tudo por mim, havia coisas que preferia esconder dela.